Caso Domsten – O Incidente das Entidades Gelatinosas (1958).
Em 1958, dois suecos em pânico foram atacados por uma horda de criaturas protozoárias pulsantes, à beira de um trecho desolado de estrada envolto em névoa — em um dos encontros mais aterradores já registrados.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEEm 20 de dezembro de 1958, dois amigos — Hans Gustafsson, de 25 anos, e Stig Rydberg, de 30 — faziam a viagem normalmente curta e tranquila de Höganäs até Heisenberg, onde estavam hospedados na casa da mãe de Gustafsson, Anna Berggren, após uma noite animada na cidade ao lado de suas namoradas.
Por causa da neblina densa que encobria a estrada, Gustafsson reduziu a velocidade de seu veículo DKW Combi a quase um rastejar. Ele acreditava que essa precaução garantiria uma viagem segura e sem incidentes para ele e o amigo… mas essa esperança logo se mostraria em vão.

Por volta das 3h da manhã, a dupla decidiu encostar o carro em um ponto isolado da Rota 45 — que segue ao longo do Estreito de Öresund, próximo ao vilarejo de Domsten — para esticar as pernas e fazer suas necessidades. Nenhum dos dois poderia imaginar que estava a poucos instantes da experiência mais traumática de suas jovens vidas.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEO primeiro sinal de que algo incomum estava acontecendo surgiu quando perceberam um brilho estranho emanando das árvores, a cerca de 45 metros de distância. Movidos pela curiosidade e pela ousadia típica da juventude, decidiram caminhar pela floresta enevoada para investigar a origem daquela iluminação incomum. Foi uma decisão da qual se arrependeriam pelo resto de suas vidas.
À medida que se aproximavam da fonte de luz desconhecida, Rydberg e Gustafsson pararam ao lado de uma placa que proibia acampamentos na área. Foi então que, atônitos, avistaram um objeto discoidal amplo e radiante. Mais tarde, os dois estimaram que o disco tinha cerca de 90 centímetros de altura e quase 4,5 metros de largura. O “disco voador”, imóvel, era sustentado por uma espécie de tripé apoiado no chão da floresta. Segundo Gustafsson:
“Nós vimos um disco estranho. Ele repousava sobre pernas com cerca de 60 centímetros de comprimento. Parecia ser feito de uma luz peculiar e cintilante, que mudava de cor.”
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEAntes que pudessem se orientar ou reagir, os dois de repente se viram cercados por um aglomerado de objetos bizarros e ondulantes — todos com aproximadamente 90 centímetros de comprimento — que começaram a avançar em direção aos homens aterrorizados. Mais tarde, Rydberg descreveria a cena chocante aos repórteres:
“Eles eram como protozoários, apenas um pouco mais escuros que o normal, com uma tonalidade azulada, pulando e saltando ao redor do disco como massas de geleia animada.”

Sem qualquer aviso, as criaturas amorfas avançaram em enxame sobre Rydberg e Gustafsson, envolvendo seus braços e pernas com seus corpos gelatinosos e maleáveis — porém surpreendentemente resistentes. Rydberg mais tarde compararia a sensação de estar preso dentro dessas entidades elásticas a ficar aprisionado em uma “massa magnética”.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADECom uma impressionante “força semelhante à sucção”, as repugnantes criaturas, de odor nauseante, começaram a arrastar a dupla de volta em direção ao disco, enquanto outras realizavam o que foi descrito como uma “dança macabra”. Gustafsson relatou essa experiência aterradora:
“O arrasto que aquelas coisas exerciam era terrível. E elas exalavam um cheiro horrível — como éter e linguiça queimada.”
Os homens, como era de se esperar, reagiram com golpes desordenados, tomados pelo medo e pela adrenalina. No entanto, sempre que conseguiam se soltar de um desses seres pesadelares, outro imediatamente se prendia a eles. Rydberg tentou socar uma das criaturas, mas ela simplesmente envolveu seu braço até o cotovelo. Ele tentou gritar, mas nenhum som saiu. Descrevendo sua luta inútil, Rydberg afirmou:
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE“Quase parecia que as criaturas liam minha mente. Elas antecipavam cada movimento antes mesmo de eu fazê-lo. A força delas não era tão grande quanto a técnica com que a utilizavam.”
Por fim, Rydberg conseguiu se libertar e disparou desesperadamente em direção ao carro estacionado, com duas daquelas criaturas se contorcendo logo atrás dele. Enquanto corria por sua vida, lançou um olhar por cima do ombro e, para seu completo desespero, viu que Gustafsson estava em sério perigo, agarrando-se com todas as forças ao poste da placa de “proibido acampar”.

Gustafsson, por sua vez, só podia encarar em terror absoluto enquanto o amigo disparava em direção à estrada, deixando-o para ser consumido por aquelas criaturas aparentemente vorazes, que já haviam praticamente coberto suas pernas e continuavam avançando em direção ao seu tronco.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEGustafsson lançou um olhar rápido para os próprios pés e ficou atônito ao perceber que aqueles predadores invertebrados — que pareciam desafiar a gravidade sem qualquer meio visível de sustentação — estavam puxando-o em direção à nave, erguendo seu corpo até deixá-lo quase na horizontal. O tenaz jovem de 25 anos sentia seu aperto enfraquecer aos poucos enquanto se agarrava desesperadamente ao poste da placa.
Rydberg, ainda perseguido pelas criaturas viscosas, sabia que nada podia fazer pelo amigo e correu com ainda mais força. Ele escancarou a porta do carro, com os seres quase alcançando seus calcanhares, e socou a buzina na esperança desesperada de que algum transeunte ouvisse o som estridente e viesse em socorro. Foi nesse instante que Hans Gustafsson e Stig Rydberg se tornaram dois dos homens mais sortudos da Terra.
O som da buzina pareceu ter um efeito profundo sobre as “Bolsas de Gelatina”. Imediatamente, as duas massas gosmentas que perseguiam Rydberg deram meia-volta e começaram a retornar em direção ao disco, abandonando sua presa.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Os organismos que puxavam Gustafsson também libertaram sua vítima, que desabou no chão em um monte disforme, a tempo de ver as criaturas sem ossos recuarem em debandada e desaparecerem pela parte inferior da nave.
Aliviado além das palavras, Gustafsson se levantou às pressas e correu para o automóvel. Ao abrir a porta, virou-se a tempo de ver o disco disparar para o céu, emitindo um assobio agudo. O cheiro repugnante de produto químico queimado foi tudo o que restou dos agressores de outro mundo.
Os dois homens permaneceram sentados em silêncio atônito, com lágrimas escorrendo por seus rostos lívidos, cada um tentando assimilar a experiência aterradora à sua própria maneira. O episódio durou apenas cerca de cinco minutos, mas ambos sabiam que jamais seriam os mesmos. Levaria quase vinte minutos até que o tremor de Gustafsson diminuísse o suficiente para que ele conseguisse dirigir o restante do caminho até casa.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEAo chegarem a Heisenberg, os dois homens concluíram que seria melhor manter aquela experiência inacreditável apenas entre eles. Ambos estavam compreensivelmente assustados — não apenas pelo ridículo que inevitavelmente acompanharia um relato tão bizarro quanto aquele que teriam de fazer, mas também pelo risco de sua estabilidade mental ser colocada em dúvida.
Em seu livro “Os discos voadores: documentos e teoria”, o renomado ufólogo sueco Gösta Rehn — que entrevistou extensivamente as testemunhas oculares — citou Gustafsson da seguinte forma:
“Embora nossa capacidade de raciocínio parecesse paralisada e as lágrimas simplesmente corressem pelo nosso rosto, depois de ficarmos sentados no carro por cerca de quinze minutos, ficou muito claro em nossas cabeças que podíamos seguir até Helsingborg; e só quando já estávamos no centro da cidade é que ousamos falar um com o outro. E a primeira coisa que dissemos foi: ‘Não devemos contar isso a ninguém, todos vão rir de nós.’”
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Durante três longos dias, Rydberg e Gustafsson sofreram em silêncio. Rydberg foi incapaz de dormir durante as 72 horas que se seguiram ao evento, e tanto ele quanto Gustafsson passaram a apresentar ansiedade extrema e ferimentos físicos evidentes — como grandes hematomas e olhos avermelhados — sinais que não passaram despercebidos pela mãe de Hans Gustafsson, Anna Berggren, nem por seu irmão, Bengt.

Já não conseguindo manter em segredo aquela experiência insuportável — nem os sintomas semelhantes ao transtorno de estresse pós-traumático —, os dois acabaram confessando todo o ocorrido durante o café da manhã na casa da família Gustafsson, momento em que seus piores medos se confirmaram. Nas palavras da própria Anna Berggren:
“Eu comecei a rir do Stig enquanto ele contava a história. Sim, todos nós rimos. Tudo soava tão estranho.”
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADENo entanto, o grupo logo percebeu que aquele relato perturbador de atacantes alienígenas não era apenas fruto da imaginação, mas — ao menos para Rydberg e Gustafsson — uma vivência real e profundamente traumática. Foi então que Berggren comunicou o caso ao maior jornal da Suécia, o “Helsingborgs Dagblad”.
É difícil determinar qual foi a real intenção de Berggren ao procurar a imprensa. Teria ela acreditado que, ao tornar o caso público, poderia ajudar o filho e Rydberg a obter o apoio psicológico de que claramente precisavam? Ou suas motivações teriam sido mais interesseiras, já que a história provavelmente despertaria curiosidade e atenção para seu negócio, a Lavanderia Berggren, onde ambos os homens trabalhavam?
Seja qual for o motivo, a mídia não perdeu tempo em transformar os dois funcionários da lavanderia em figuras conhecidas em toda a Suécia e, em 9 de janeiro de 1959, a dupla foi convocada para prestar depoimento na delegacia de polícia de Helsingborg.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEParticiparam da entrevista — que, ao final, acabaria se transformando em um interrogatório com duração superior a onze horas — o capitão da polícia Lennart Bunke e os detetives Sven Rudolph e Åke Fernebrant, responsáveis pela condução do exame. Também esteve presente Michael Wächter, um psicólogo militar alemão com um domínio surpreendentemente precário da língua sueca, além do técnico de laboratório Sture Risberg.

Ao que tudo indica, o objetivo oficial dessa extensa oitiva era apaziguar as preocupações das Forças Armadas suecas quanto a uma possível violação não autorizada de seu espaço aéreo soberano por tecnologias desconhecidas — fossem elas de origem internacional ou até intergaláctica. No entanto, o tom adotado pelos interrogadores parecia claramente o de céticos empenhados em desmascarar o relato perturbador apresentado por Gustafsson e Rydberg. Ainda assim, apesar de esforços quase hercúleos para revelar algum tipo de farsa elaborada, o detetive Rudolph admitiria mais tarde:
“Na verdade, não deixamos nada sem perguntar a respeito do encontro deles, mas não conseguimos encontrar nada que pudesse ser considerado uma fraude.”
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEEm uma atitude que lembra a adotada por policiais no perturbador caso dos ABDUZIDOS DE PASCAGOULA, os oficiais suecos chegaram ao ponto de instalar microfones ocultos na sala de interrogatório e deixar a dupla sozinha, na esperança de que revelassem inadvertidamente alguma contradição ou engano. No entanto, assim como no caso citado, as testemunhas mantiveram fielmente sua estranha narrativa, soubessem ou não que estavam sendo observadas.
Após uma série de exames médicos e psiquiátricos, que se estenderam por vários dias, Gustafsson e Rydberg foram considerados jovens fisicamente e psicologicamente saudáveis, que simplesmente haviam passado por uma experiência traumática de origem desconhecida. Apesar disso, o Exército sueco declarou publicamente que o encontro não passava de uma farsa.
Sven Schalin, um ufólogo sueco que entrevistou Gustafsson e Rydberg em 7 de janeiro de 1959, considerou o testemunho da dupla autêntico e chegou até a levantar hipóteses sobre as capacidades extragravitacionais das entidades alienígenas:
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE“Uma explicação aceitável para a [capacidade de voo] das ‘criaturas’ pode ser que o OVNI — por meio de um campo gravitacional ao seu redor… de origem elétrica — tenha criado redemoinhos ou concentrações semelhantes [de energia].”
Tive meu primeiro contato com esse caso estranho (e, francamente, perturbador) ao encontrar um exemplar de bolso bastante surrado do livro de 1966 de Brad Steiger sobre encontros alienígenas, “Strangers from the Skies”, no qual ele batizou essas entidades bizarras de “Terríveis Sacos de Gelatina Voadores”. Desde o primeiro instante em que minha mente adolescente devorou esse relato angustiante, fiquei completamente fascinado pelo caso.

Acho que, em retrospecto, minha fascinação veio de uma combinação de fatores: a completa aleatoriedade do evento — afinal, quem entre nós, ao atender a um chamado da natureza em um trecho deserto e sem iluminação, não sente aquele arrepio subir pela espinha ao imaginar o que pode estar à espreita na escuridão profunda, a poucos metros do alcance dos faróis? Some-se a isso a anatomia absolutamente bizarra das criaturas e a intensidade brutal de um ataque totalmente não provocado, e temos o material perfeito para pesadelos.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADENão houve outros relatos envolvendo os Jelly Bags — ou Blobs de Domsten, como são mais conhecidos — o que levou alguns a especular que o Exército sueco estava correto ao classificar o caso como uma farsa. No entanto, quando se trata de encontros alienígenas, muitas vezes não existem múltiplas aparições ou — talvez de forma ainda mais assustadora — há a possibilidade muito real de que outras vítimas dessas entidades ondulantes simplesmente nunca tenham conseguido voltar para casa para contar sua história.
Quer continuar acompanhando conteúdos como este? Junte-se a nós no Facebook e participe da nossa comunidade!
Seguir no Facebook