Astrônomos capturam imagem de estrela companheira de Betelgeuse
Astrônomos do Observatório de Paris, utilizando o Very Large Telescope (VLT) do ESO, confirmaram a existência de uma estrela companheira de Betelgeuse, um dos astros mais conhecidos da constelação de Orion. A descoberta, realizada em dezembro de 2024, representa um avanço significativo após um século de especulações sobre a presença de um corpo celeste próximo ao gigante vermelho.
Descoberta da estrela companheira
A confirmação da estrela companheira, designada Betelgeuse B, foi feita por meio de imagens capturadas com o instrumento SPHERE-ZIMPOL, que utiliza um sistema de óptica adaptativa para obter imagens de alto contraste. Dr. Miguel Montargès, um dos responsáveis pela pesquisa, afirmou que a detecção de um ponto de luz próximo a Betelgeuse foi um marco importante, indicando que o astro não é único. A estrela companheira foi observada a cerca de 52 milissegundos de arco de Betelgeuse, o que corresponde a uma distância projetada de aproximadamente 8,8 unidades astronômicas.
Características de Betelgeuse
Betelgeuse, também conhecida como Alpha Orionis, é uma supergigante vermelha com cerca de 8 milhões de anos e localizada a aproximadamente 724 anos-luz da Terra. Com um raio cerca de 1.400 vezes maior que o do Sol, é uma das estrelas mais luminosas conhecidas, emitindo mais luz do que 100.000 sóis. A estrela está em sua fase final de vida e, quando explodir, o evento será visível durante o dia por várias semanas.
Métodos de observação utilizados
Os astrônomos realizaram observações em 3 e 6 de dezembro de 2024, momentos em que se esperava a máxima separação entre Betelgeuse e sua companheira. Dr. Anthony Boccaletti, também do Observatório de Paris, destacou a eficácia do SPHERE e das técnicas de pós-processamento, que foram inicialmente desenvolvidas para a detecção de exoplanetas, na identificação de companheiros em estrelas massivas e evoluídas como Betelgeuse.

Implicações da descoberta
A descoberta de Betelgeuse B pode ter implicações significativas para a compreensão da evolução estelar. Os astrônomos estimam que a estrela companheira possui entre 2,6 e 3,1 massas solares e não apresenta emissão de hidrogênio-alfa, luz ultravioleta ou raios-X, características que a identificam como uma estrela jovem da sequência principal, em vez de um protostar ativo. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Astronomy & Astrophysics e podem abrir novas linhas de investigação sobre a dinâmica de sistemas estelares complexos.
A confirmação da estrela companheira de Betelgeuse não apenas responde a uma longa dúvida científica, mas também instiga novas perguntas sobre a formação e a vida de estrelas massivas. O estudo contínuo deste sistema pode revelar mais sobre a natureza das estrelas e suas interações no universo.
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