General da Força Espacial alerta para risco de guerra no espaço
O general Chance Saltzman, comandante cessante da Força Espacial dos Estados Unidos, afirmou que nenhum país ou força militar conseguirá permanecer fora de um eventual conflito armado que se estenda ao espaço.
A declaração foi feita durante a Conferência Global de Chefes do Ar e do Espaço de 2026, em seu último discurso público antes de deixar o comando da instituição, previsto para agosto deste ano.
Segundo Saltzman, a dinâmica orbital torna o ambiente espacial diferente dos domínios terrestre, marítimo e aéreo. Em caso de conflito, a movimentação dos satélites e de outros sistemas em órbita faria com que as capacidades espaciais de diferentes países permanecessem expostas à mesma zona de combate.
“Se um conflito se estender ao espaço, nenhum de nós poderá evitar a zona de guerra”, afirmou o general. De acordo com ele, a mecânica orbital colocaria as capacidades espaciais das diferentes forças diretamente dentro da área afetada pelo conflito.
A preocupação está relacionada também à crescente concentração de satélites na órbita terrestre. A destruição de uma nave poderia gerar grandes quantidades de detritos e aumentar o risco de colisões com outros objetos, comprometendo determinadas regiões orbitais por longos períodos.
Como exemplo, Saltzman citou o teste antissatélite realizado pela Rússia em 2021. A ação produziu uma nuvem de detritos que permanece no espaço e já obrigou a Estação Espacial Internacional a realizar manobras de evasão.
Apesar do alerta, o general defendeu uma resposta baseada na cooperação internacional. Para ele, como diferentes países compartilhariam as consequências de um conflito espacial, também deveriam dividir a responsabilidade pela segurança e pela estabilidade do ambiente orbital.
Saltzman afirmou ainda que os efeitos de uma guerra no espaço deveriam fazer da dissuasão um objetivo comum entre as nações.
Em declarações anteriores, o militar já havia descrito a defesa espacial como “o esporte de equipe definitivo”, em referência à dimensão e à complexidade do domínio orbital. Durante seu comando, iniciado em 2022, a Força Espacial passou a enfatizar sua atuação operacional e sua capacidade de combate.
“Já não estamos falando apenas de teorias ou planos. Estamos falando de combate operacional real, efeitos espaciais e dos Guardiões que os executam”, declarou recentemente.
Para sucedê-lo, o presidente Trump indicou o tenente-general Douglas A. Schiess, então vice-chefe de operações da Força Espacial. Durante sua audiência de confirmação, Schiess defendeu um orçamento de US$ 71,1 bilhões para enfrentar o avanço das capacidades militares espaciais da China.
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