Ganímedes pode estar formando núcleo metálico
Ganímedes, a maior lua do Sistema Solar, pode ainda estar formando seu núcleo metálico e gerando calor interno neste exato momento, segundo um estudo publicado na revista científica Science Advances. A pesquisa foi liderada por cientistas do California Institute of Technology (Caltech) e propõe uma nova explicação para a origem do campo magnético do satélite natural de Júpiter.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADECom diâmetro maior que o do planeta Mercúrio, Ganímedes é a única lua conhecida a possuir um campo magnético próprio. Até agora, os modelos mais aceitos indicavam que esse magnetismo era resultado de um núcleo metálico quente formado há cerca de 4,5 bilhões de anos, que estaria esfriando gradualmente desde então.
O novo estudo, porém, sugere um cenário diferente. De acordo com as simulações desenvolvidas pelos pesquisadores, Ganímedes pode ter surgido inicialmente como um corpo frio, composto por gelo, rochas e metais misturados, que passou a aquecer lentamente ao longo de bilhões de anos.
Segundo Kevin Trinh, autor principal do trabalho, essa hipótese ajuda a explicar por que Ganímedes possui um dínamo magnético enquanto outras luas semelhantes não apresentam a mesma característica.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE“Calisto, por exemplo, tem tamanho e densidade parecidos, mas não mostra evidências de um dínamo. Por que são tão diferentes?”, afirmou o pesquisador.

Os cientistas argumentam que o metal no interior de Ganímedes pode estar se fundindo e se separando das camadas externas apenas agora. Isso contraria a ideia tradicional de que campos magnéticos planetários dependem exclusivamente da perda gradual de calor de um núcleo já formado.
A pesquisa também sugere que os mecanismos responsáveis pelos dínamos magnéticos em corpos celestes podem ser mais variados do que se imaginava. Segundo os autores, o modelo não descarta completamente as teorias anteriores, mas introduz uma alternativa compatível com um início “frio” da lua joviana.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEA hipótese poderá ser testada nos próximos anos pela missão JUICE, da Agência Espacial Europeia. A sonda deve chegar ao sistema de Júpiter em 2031 e coletará dados detalhados sobre Ganímedes, Europa e Calisto.
Os pesquisadores esperam que as futuras observações permitam comparar as simulações com medições diretas do interior da lua e esclarecer a origem de seu campo magnético.
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