Terapia para rejuvenescer células inicia testes em humanos
A empresa de biotecnologia Life Biosciences iniciou o primeiro ensaio clínico em humanos de uma terapia genética voltada ao rejuvenescimento celular. O tratamento está sendo testado inicialmente em pacientes com glaucoma, doença neurodegenerativa que danifica o nervo óptico e pode causar perda irreversível da visão.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEO objetivo da pesquisa é restaurar a função de neurônios do nervo óptico que normalmente não possuem capacidade de regeneração. A abordagem utiliza a ativação de três genes capazes de promover uma chamada “reprogramação parcial”, processo que busca rejuvenescer células adultas sem alterar sua identidade ou função especializada.
Como medida de segurança, os genes só são ativados quando o paciente recebe o antibiótico doxiciclina. Caso a administração seja interrompida, a atividade genética induzida pelo tratamento é desligada.
Segundo a diretora científica da empresa, Sharon Rosenzweig-Lipson, o sistema oferece controle sobre a duração da expressão genética, reduzindo o risco de manter os mecanismos de rejuvenescimento ativos por mais tempo do que o necessário.
A terapia, denominada ER-100, foi desenvolvida a partir de pesquisas lideradas pelo geneticista David Sinclair, fundador da empresa. Estudos anteriores conduzidos por seu laboratório demonstraram resultados promissores em camundongos e primatas, abrindo caminho para a avaliação em humanos.
Em publicações nas redes sociais, Sinclair classificou a aplicação da primeira dose em um paciente como um marco após décadas de pesquisa. O cientista afirmou esperar que a estratégia consiga restaurar características biológicas associadas à juventude celular de forma segura.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEApesar do potencial da tecnologia, especialistas alertam que a reprogramação celular ainda enfrenta desafios significativos. Uma das principais preocupações é o risco de que o processo altere o comportamento das células de forma descontrolada, aumentando a possibilidade de desenvolvimento de tumores.
Por esse motivo, os pesquisadores escolheram o olho como local inicial dos testes clínicos. Como o tratamento é aplicado em uma região específica do organismo, eventuais efeitos adversos tendem a permanecer localizados, reduzindo riscos sistêmicos mais graves.
O especialista em longevidade Matt Kaeberlein avaliou que a técnica possui grande potencial terapêutico, mas destacou que a área ainda está em estágio inicial de desenvolvimento e requer cautela devido à possibilidade de efeitos colaterais severos.
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Avaliação semelhante foi feita pelo neurobiólogo Pete Williams. Para ele, a chegada de novas abordagens para doenças da retina é positiva, mas a forte atenção pública em torno da tecnologia pode gerar expectativas acima do que os dados científicos atuais permitem concluir.
Os detalhes do estudo foram publicados nesta semana na revista científica Nature. A fase inicial do ensaio prevê o tratamento de até 12 pacientes com glaucoma. Em etapas futuras, a empresa pretende expandir a pesquisa para pessoas com neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica, condição que também provoca danos permanentes ao nervo óptico.
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