Estudo sugere que vestígios de civilizações alienígenas podem sobreviver como poeira
Um novo estudo do pesquisador Brian C. Lacki, ligado ao projeto Breakthrough Listen, explora uma possibilidade pouco convencional na busca por tecnologia extraterrestre: e se os últimos vestígios de uma civilização avançada não forem naves ou sinais de rádio, mas partículas microscópicas espalhadas pelo espaço?
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEO trabalho parte de um desafio central da busca por inteligência extraterrestre. Civilizações tecnológicas podem estar separadas da humanidade não apenas por enormes distâncias, mas também pelo tempo. A Terra transmite sinais de rádio há pouco mais de um século, um intervalo praticamente insignificante quando comparado à idade do Universo.
Segundo Lacki, essa limitação indica que a procura por tecnologia alienígena não deve se concentrar apenas em transmissões ativas. O estudo propõe maior atenção às chamadas tecnossinaturas passivas — estruturas ou artefatos abandonados capazes de produzir sinais detectáveis mesmo sem energia, manutenção ou uma civilização ainda existente para operá-los.
Uma das possibilidades discutidas envolve objetos refletivos perdidos dentro do Sistema Solar. Espelhos, painéis solares ou superfícies metálicas planas poderiam refletir a luz do Sol na direção da Terra e produzir breves clarões ópticos. Diferentemente dos reflexos de satélites em órbita terrestre, um objeto em trajetória interplanetária poderia permanecer visível durante várias horas.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEO artigo calcula que um espelho sem rotação, com uma área refletiva de aproximadamente 100 centímetros quadrados, poderia ser detectado a uma distância de uma unidade astronômica pelo Observatório Vera C. Rubin. O principal obstáculo seria o alinhamento adequado, já que uma superfície posicionada aleatoriamente enviaria reflexos para a Terra apenas em ocasiões raras.
Lacki também considera a existência hipotética de grandes estruturas ao redor de estrelas, como espelhos ou lentes gigantes capazes de alterar seu brilho de maneira artificial. Essas construções poderiam utilizar a própria luz da estrela como fonte de energia, criando padrões luminosos potencialmente reconhecíveis sem a necessidade de um transmissor convencional.
Em uma escala ainda maior, o estudo descreve a possibilidade teórica de lentes posicionadas próximas a sistemas binários de raios X. Uma estrutura com cerca de mil quilômetros de extensão passando diante de uma região extremamente brilhante próxima a uma estrela de nêutrons poderia gerar um clarão de raios X extremamente intenso e de curta duração.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEO artigo não afirma que qualquer uma dessas estruturas tenha sido encontrada. O objetivo da pesquisa é compreender quais assinaturas observacionais elas poderiam deixar e se os instrumentos atuais seriam capazes de identificá-las. Alguns desses eventos poderiam ser raros, muito breves ou confundidos com fenômenos astronômicos naturais já conhecidos.
Um dos aspectos mais discutidos no trabalho é o destino de megaconstruções abandonadas ao longo de milhões ou bilhões de anos. Estruturas como enxames de Dyson poderiam se deteriorar progressivamente caso deixassem de receber correções orbitais ou mecanismos de prevenção de colisões. Com o tempo, impactos entre seus próprios componentes poderiam gerar uma cascata de fragmentação até que restassem apenas partículas microscópicas.
Esses grãos artificiais poderiam ser expulsos do sistema estelar pela pressão da radiação da estrela hospedeira e viajar pelo espaço interestelar durante períodos extremamente longos. Parte desse material poderia eventualmente alcançar outros sistemas planetários e se depositar em corpos sem atmosfera, como a Lua, onde permaneceria preservado por eras geológicas.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEDe acordo com o estudo, essa poeira artificial poderia apresentar características incomuns, como ligas metálicas específicas, proporções isotópicas diferentes, geometrias fabricadas ou estruturas de materiais difíceis de associar a processos naturais. A detecção desse tipo de vestígio exigiria análises detalhadas de amostras lunares, asteroides, meteoritos e da poeira presente no espaço interplanetário.
O trabalho também menciona pesquisas lideradas por Beatriz Villarroel e colaboradores, que analisam antigas placas fotográficas em busca de clarões registrados antes da era dos satélites artificiais. O estudo destaca que essas observações anteriores à presença de satélites modernos podem reduzir a possibilidade de contaminação por objetos humanos em órbita, embora não interprete esses registros como evidência de tecnologia extraterrestre.
A pesquisa de Lacki representa uma ampliação das estratégias utilizadas na busca por tecnossinaturas. Além de sinais de rádio intencionais, cientistas consideram a possibilidade de detectar espelhos abandonados, eclipses artificiais, alterações incomuns no brilho de estrelas, restos de megaconstruções e até partículas microscópicas produzidas por antigas tecnologias.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEA hipótese apresentada pelo estudo sugere que uma civilização extraterrestre poderia desaparecer muito antes de a humanidade começar a procurá-la. Nesse cenário, seus últimos vestígios talvez não fossem grandes estruturas ou mensagens atravessando o espaço, mas fragmentos de sua tecnologia preservados como poeira cósmica.
Artigo científico de Brian C. Lacki publicado no arXiv.
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