NASA confirma moléculas orgânicas complexas em Marte
O rover Perseverance, da NASA, confirmou a presença de carbono macromolecular em rochas do planeta Marte, reforçando as evidências de que compostos orgânicos complexos existiram no ambiente marciano há bilhões de anos. Os resultados foram publicados na revista científica Science Advances e ampliam o conjunto de dados obtidos durante a missão no interior da cratera Jezero.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEA descoberta foi realizada na formação geológica Bright Angel, onde o rover analisou duas rochas, incluindo uma conhecida como “Cheyava Falls”. Segundo o estudo, o material identificado representa uma das evidências mais robustas já registradas de moléculas orgânicas complexas preservadas na superfície marciana, consideradas potenciais bioassinaturas que poderão ser investigadas com maior profundidade em futuras análises.
A pesquisa foi liderada por Ashley Murphy, pesquisadora de pós-doutorado do Planetary Science Institute, em colaboração com Kyle Uckert, coinvestigador principal do instrumento SHERLOC, instalado no braço robótico do Perseverance. O equipamento utiliza espectroscopia Raman, técnica baseada em laser capaz de identificar minerais e compostos orgânicos sem alterar a amostra.

De acordo com os pesquisadores, o instrumento detectou carbono macromolecular, formado por extensas cadeias de átomos de carbono. Na Terra, esse tipo de material pode ter origem biológica ou geológica e é encontrado tanto em rochas sedimentares quanto em alguns meteoritos.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEAs análises indicam que o carbono macromolecular está associado a sedimentos finos depositados quando um antigo rio alimentava o lago que ocupava a cratera Jezero. Posteriormente, esses sedimentos sofreram alterações provocadas pela ação da água, formando minerais como carbonatos e sulfatos.
Segundo os autores, essa associação sugere que a matéria orgânica pode ter sido incorporada ao ambiente marciano em dois ou mais momentos distintos da história geológica do planeta.
“Embora o mecanismo específico de formação do carbono macromolecular detectado nas lodolitas de Bright Angel ainda seja desconhecido, este continua sendo um dos achados mais empolgantes até agora”, afirmou Ashley Murphy, conforme divulgado pelo estudo.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEOutro aspecto destacado pela pesquisa é o estado de preservação do material. As moléculas foram identificadas a poucos micrômetros da superfície de Marte, distância inferior à espessura de uma folha de papel. Trata-se da detecção mais superficial desse tipo de carbono já registrada no planeta.

Segundo Murphy, as condições atuais da superfície marciana, marcadas por intensa radiação e agentes oxidantes, costumam degradar rapidamente compostos orgânicos. A pesquisadora afirma que o carbono encontrado pode ser naturalmente resistente a esse processo ou ter permanecido protegido por minerais presentes nas rochas, como argilas e materiais ricos em ferro.
O estudo também observa que essa nova detecção ocorreu a mais de 3.200 quilômetros das moléculas orgânicas anteriormente identificadas pelo rover Curiosity, na cratera Gale. Para os pesquisadores, esse resultado indica que compostos orgânicos podem ter estado distribuídos em diferentes regiões de Marte durante seu passado geológico.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE“Isso indica que, há bilhões de anos, a matéria orgânica poderia estar amplamente disponível nos antigos lagos e rios de Marte, e não apenas em um único local”, declarou Murphy.
Apesar do avanço, os pesquisadores afirmam que os equipamentos atualmente em operação em Marte não possuem capacidade para determinar se o carbono identificado possui origem biológica ou exclusivamente geológica. Segundo a equipe científica, essa resposta dependerá do retorno das amostras coletadas pelo Perseverance à Terra, onde poderão ser examinadas com instrumentos laboratoriais de maior precisão.
Enquanto isso, o novo estudo fortalece as investigações sobre o passado ambiental de Marte e amplia o conjunto de evidências reunidas pela missão Perseverance na busca por possíveis bioassinaturas preservadas nas antigas rochas sedimentares do planeta.
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