Mudanças na dieta de soldados romanos na fortaleza de Diana-Karataš
A análise de restos animais encontrados na fortaleza romana de Diana-Karataš, localizada na atual Sérvia, revela mudanças significativas na dieta dos legionários ao longo dos séculos. O estudo, conduzido por Dimitrije Marković, pesquisador da Universidade de Belgrado, destaca a transição de uma alimentação baseada em carne suína para uma maior inclusão de peixes e animais selvagens, especialmente a partir do século IV.
Análise de restos animais revela dieta diversificada
A pesquisa analisou mais de 10.000 ossos de animais recuperados durante escavações arqueológicas realizadas entre 1980 e 1983. Os resultados indicam que, inicialmente, os soldados romanos consumiam predominantemente carne de porco, boi e ovelha. No entanto, a partir do século IV, houve um aumento significativo no consumo de animais selvagens e peixes do Danúbio, refletindo as dificuldades de abastecimento enfrentadas pela guarnição devido às invasões bárbaras.

Localização estratégica da fortaleza no Império Romano
A fortaleza de Diana-Karataš está situada em uma posição estratégica, na saída dos gorges do Danúbio, uma área marcada por cânions profundos e florestas densas. Construída na primeira metade do século I d.C., a fortaleza abrigava entre 800 e 1.000 soldados e permaneceu ativa até o século VI, quando o controle romano, já bizantino, entrou em colapso na região. A localização permitia o controle de uma rota vital de comunicação e abastecimento do Império.

Evolução dos hábitos alimentares ao longo dos séculos
Os hábitos alimentares dos legionários evoluíram em quatro fases cronológicas, correspondendo a mudanças sociopolíticas significativas. No início, o porco era o mais consumido, representando mais da metade dos restos de animais identificados. A partir do século II, a carne de boi começou a ganhar espaço, até que na fase bizantina, quase 46% dos restos eram de gado. Essa mudança é interpretada como um reflexo da estabilização econômica e do surgimento de grandes propriedades agrícolas especializadas na criação de gado.

Implicações culturais e sociais da dieta dos legionários
As variações na dieta dos soldados romanos podem indicar uma adaptação às práticas alimentares locais, possivelmente influenciadas pelas comunidades dacianas que habitavam a região antes da conquista romana. A predominância de restos de porco nas fases iniciais sugere que os soldados podem ter adotado costumes alimentares locais ou dependido de suprimentos das populações nativas. No entanto, essa conclusão deve ser considerada com cautela, dada a amostra limitada da fase inicial.

As descobertas em Diana-Karataš não apenas iluminam a dieta dos legionários romanos, mas também refletem as complexas interações culturais e sociais entre os romanos e os povos locais. A pesquisa, publicada no Journal of Archaeological Science: Reports, contribui para uma compreensão mais profunda das adaptações alimentares em contextos de crise e mudança.
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