Emma Stone desafia os céticos da vida extraterrestre: “É narcisista pensar que estamos sozinhos”

A confissão da atriz surgiu de forma natural, já que em Bugonia ela interpreta a diretora executiva de uma grande empresa que é sequestrada por dois teóricos da conspiração, convencidos de que ela é uma alienígena com a missão de destruir a Terra.
“Não sei se nos observam lá de cima, mas uma das minhas pessoas favoritas que já existiu é Carl Sagan. Me apaixonei completamente por sua filosofia e sua ciência”, explicou a vencedora do Oscar. “Ele acreditava profundamente que a ideia de estarmos sozinhos neste vasto e expansivo universo é algo bastante narcisista. Então, sim, digo publicamente: eu acredito em extraterrestres”.
O título do filme, Bugonia, não é casual e se conecta diretamente com seu enredo. A bugonia era um antigo ritual, descrito por autores gregos e romanos, que supostamente permitia gerar enxames de abelhas a partir do cadáver de um boi sacrificado. Essa referência é fundamental, já que, na trama, um dos sequestradores — interpretado por Jesse Plemons — é um apicultor obcecado por teorias conspiratórias.
O título, portanto, evoca temas de transformação, vida que surge da morte e uma visão distorcida do mundo, refletindo a mentalidade dos personagens que veem a protagonista como uma ameaça que deve ser “sacrificada” para salvar o planeta.
O filme, que estreia na competição oficial do festival, marca a terceira colaboração em três anos entre Stone e o diretor grego Yorgos Lanthimos. O trabalho conjunto anterior, Poor Things, rendeu a Lanthimos o Leão de Ouro em Veneza e a Stone seu segundo Oscar de melhor atriz. O roteiro de Bugonia foi escrito por Will Tracy (co-roteirista de The Menu) e é uma adaptação em inglês do filme sul-coreano de 2003 Save the Green Planet!.
Sobre seu trabalho com o diretor, Stone comentou: “Amo o material que o atrai, os mundos que ele quer explorar e os personagens que generosamente me permitiu interpretar”. Ela descreveu o projeto como “um reflexo deste momento em nosso mundo” e uma obra “fascinante, comovente, divertida, distorcida e cheia de vida”.
Por sua vez, Lanthimos afirmou que o filme também reflete uma realidade atual. “Não a chamaria necessariamente de filme distópico”, disse o diretor. “Em todo caso, este filme mostra que isso está acontecendo agora. A humanidade enfrenta um ajuste de contas muito em breve; as pessoas precisam escolher o caminho certo em muitos sentidos; caso contrário, não sei quanto tempo nos resta… com a tecnologia, com a IA, com as guerras e a negação de todas essas coisas, e o quão insensibilizados nos tornamos diante delas”.