Escrita há 11.000 anos? A teoria revolucionária de Irving Finkel que desafia a história de Göbekli Tepe
Irving Finkel, renomado especialista em línguas antigas e curador do Museu Britânico, lançou uma teoria que desafia o consenso acadêmico: a possível existência de um sistema de escrita em Göbekli Tepe, na atual Turquia, cerca de 7.000 anos antes do que afirmam os livros de história.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEA ousada hipótese do pesquisador baseia-se em um achado específico que, segundo ele, passou despercebido pela maioria dos arqueólogos: uma pequena pedra verde de formato circular, semelhante a um escaravelho egípcio, com dorso arqueado e base plana. Nessa base, estariam gravados sinais hieroglíficos e pictográficos.

Para Finkel, o objeto não se trata de um simples ornamento, mas de um selo oficial, possivelmente utilizado para validar contratos ou acordos registrados em materiais como argila. “Esse selo de Göbekli Tepe é uma gota de chuva a partir da qual infiro as Cataratas do Niágara”, afirmou em entrevista recente ao cientista Lex Fridman, sugerindo que o artefato seria apenas um vestígio de um sistema de escrita muito mais amplo — que não sobreviveu à ação do tempo.
A visão tradicional sustenta que a escrita surgiu na Mesopotâmia por volta de 3000 a.C., impulsionada pela necessidade de administrar cidades complexas e grandes populações. Finkel, porém, questiona essa narrativa ao observar que os construtores de Göbekli Tepe, responsáveis por erguer monumentais estruturas por volta de 9.000 a.C., teriam enfrentado desafios logísticos semelhantes.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE“Não é possível ter uma arquitetura desse nível sem planejamento e princípios compartilhados entre diferentes pessoas. Isso não seria viável no sul do Iraque sem escrita. Então como é que, de repente, 7.000 anos antes, isso acontece ali?”, questiona o acadêmico.
Essa interpretação encontra eco entre outros pesquisadores que contestam a visão linear do progresso humano. O jornalista e escritor britânico Graham Hancock, por exemplo, manifestou apoio à hipótese. “As datas continuam ficando mais antigas… Dado que Irving Finkel, subdiretor de escrita, línguas e culturas da antiga Mesopotâmia no Museu Britânico, conclui que havia escrita em Göbekli Tepe milhares de anos antes do surgimento da Suméria, espero que os arqueólogos convencionais reconheçam que se trata de uma afirmação séria e digna de investigação aprofundada”, escreveu Hancock, autor do documentário Apocalipse do Passado.
Segundo Finkel, uma das razões pelas quais não foram encontradas “bibliotecas de pedra” na região estaria no uso de materiais orgânicos. Ele sugere que os habitantes de Göbekli Tepe provavelmente escreviam em folhas planas ou cascas de palmeira — uma prática comum em regiões como o Vale do Indo e a Índia antiga, onde a escrita em suportes perecíveis era amplamente utilizada.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEO especialista também critica o que chama de “inércia” da arqueologia moderna, que muitas vezes assume que tudo o que existiu é exatamente aquilo que foi preservado. Para Finkel, os seres humanos de 11 mil anos atrás eram comerciantes, viajantes e organizadores altamente inteligentes, essencialmente indistinguíveis de nós em termos cognitivos — e, portanto, necessitavam de formas eficientes de comunicação.
O trecho da entrevista em que ele aborda essa teoria pode ser conferido a seguir:
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