O misterioso achado que liga os vikings a Jesus
Descobrem na Inglaterra uma peça de ouro com 1.200 anos de antiguidade que pode abalar a história: os vikings conheceram a fé cristã muito antes do que se imaginava?
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEImagine caminhar por um campo tranquilo no condado de Norfolk, no leste da Inglaterra, com um detector de metais na mão, sem esperar nada extraordinário. De repente, um sinal sonoro. Um pequeno objeto dourado, incompleto, surge da terra. Parece uma moeda antiga. Mas, quando os especialistas a examinam mais de perto, o espanto se transforma em perplexidade.
Aquele pequeno disco de ouro guarda um segredo nunca antes visto em qualquer parte da Europa Ocidental: o rosto de São João Batista — primo de Jesus — gravado há mais de doze séculos… e, ao que tudo indica, em posse dos vikings.
A peça foi descoberta por um amador perto de Dunton, a oeste de Fakenham, em Norfolk. Trata-se de um pingente de ouro perfurado, feito à imitação de uma moeda do tipo solidus, utilizada pelos romanos tardios e pelo Império Bizantino.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEO objeto foi datado entre os anos 860 e 870 d.C., período que coincide com a conquista viking do reino anglo-saxão de East Anglia. Ou seja, alguém transformou essa moeda em joia para usá-la pendurada no pescoço. Mas quem? E por quê?
O que está gravado nela é o que realmente intrigou a comunidade científica.

O rosto daquele que anunciou Cristo
Em uma das faces aparece o perfil de um homem barbado, acompanhado da abreviação latina “IOAN”, forma reduzida do nome João. Na face oposta, lê-se parcialmente uma inscrição latina que os especialistas traduziram como “Batista e Evangelista”. Não há dúvida: trata-se de São João Batista, o profeta que, segundo os Evangelhos, preparou o caminho de Jesus, batizou-o nas águas do rio Jordão e morreu por fidelidade a Deus.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEO especialista em numismática Simon Coupland, estudioso das moedas da época carolíngia — período do imperador Carlos Magno — classificou o achado como “fascinante, único e intrigante”. Foi ele quem, com base no estilo das letras gravadas, conseguiu datar a peça com precisão na segunda metade do século IX.
Mas há algo especialmente desconcertante. Coupland reconheceu que não conhece nenhuma outra moeda carolíngia que represente São João Batista. “É algo estranho”, afirmou. “Não se parece com nada que eu já tenha visto.”

De um lado, a moeda mostra João; do outro, uma inscrição em latim que pode ser traduzida como “batista e evangelista”.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEO mistério mais profundo
O que esse objeto fazia entre os vikings? É aqui que o achado entra em território verdadeiramente enigmático.
Por volta do ano 870 d.C., o reino de East Anglia havia sido conquistado pelos vikings. Esses colonizadores escandinavos ainda não eram cristãos. Então, por que produziriam ou carregariam um objeto que representa uma figura cristã tão importante?
Durante séculos, a história oficial sustentou que os vikings chegaram às costas britânicas como pagãos declarados, adoradores de Odin, Thor e outros deuses nórdicos. A conversão generalizada ao cristianismo, segundo o consenso acadêmico, só teria ocorrido depois do século X, resultado da convivência com populações cristãs locais.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADENo entanto, essa pequena peça de ouro coloca tudo isso em questão.
O achado sugere que os vikings podem ter entrado em contato com o cristianismo — e talvez até o tenham adotado parcialmente — muito antes do que os registros históricos indicam.
Será que algum guerreiro viking recebeu essa joia de um cristão anglo-saxão? Teria sido saqueada e mantida apenas como ornamento? Ou é possível que, já no século IX, alguns desses navegadores temidos começassem a sentir curiosidade — ou até devoção — pela figura de Jesus? Por enquanto, não há respostas definitivas.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEUm tesouro para o museu
O descobridor do pingente o entregou às autoridades para seguir o processo legal previsto pela Lei do Tesouro britânica de 1996. O Museu do Castelo de Norwich manifestou interesse em adquirir a peça para sua coleção permanente após a conclusão do processo.
Ali, talvez milhões de visitantes possam contemplar essa pequena janela para um passado ainda cheio de segredos.
Esse achado não está isolado. Em 2024, cientistas anunciaram a descoberta de um pequeno amuleto de prata com cerca de 1.800 anos em uma tumba romana perto de Frankfurt, na Alemanha. Datado entre 230 e 270 d.C., o objeto continha uma inscrição latina de dezoito linhas que se referia a Jesus como Filho de Deus e incluía uma citação bíblica direta. Ele foi considerado o objeto cristão mais antigo já encontrado ao norte dos Alpes, antecipando em 50 a 100 anos a presença documentada do cristianismo na região.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEPeça por peça, objeto por objeto, a arqueologia continua revelando que a fé cristã se espalhou pelo mundo antigo de maneiras ainda pouco compreendidas. E que, talvez, até mesmo entre aqueles que a história descreveu como inimigos dessa fé, a semente tenha encontrado terreno para germinar.
Fonte: espaciomisterio.com
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