Relatos sobre ‘Os Nove’ reacendem debate sobre pesquisas psíquicas
Uma entrevista ao podcast de Danny Jones trouxe de volta uma das histórias mais controversas da pesquisa psíquica do século XX: a de um suposto grupo de entidades conhecido como “Os Nove”, descrito por seus defensores como inteligências responsáveis por influenciar acontecimentos na Terra e supervisionar uma ordem cósmica mais ampla.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEO tema foi discutido por Andy Puharich, filho do médico e pesquisador Andrija Puharich, e pelo cineasta Greg Mallozzi. Os dois revisitaram décadas de relatos, documentos e gravações relacionados ao trabalho conduzido por Puharich em áreas que envolviam percepção extrassensorial, mediunidade e fenômenos psíquicos.
Formado em medicina pela Northwestern Medical School, Andrija Puharich ganhou notoriedade por investigar fenômenos considerados incomuns em uma época em que esses estudos recebiam pouca atenção da comunidade científica. Ao longo de sua carreira, manteve contato com pesquisadores ligados ao estudo da consciência e participou de projetos que mais tarde seriam associados a pesquisas sobre visão remota e capacidades psíquicas.
Segundo Andy Puharich, o interesse de seu pai por médiuns e curadores antecedeu seu envolvimento com Uri Geller. Entre os casos que despertaram sua atenção estava o do brasileiro José Pedro de Freitas, conhecido como Zé Arigó, cuja atuação como curador espiritual foi objeto de estudos e debates durante décadas.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEApós a morte de Arigó, em 1971, Puharich passou a buscar novos casos para suas pesquisas. Pouco tempo depois, viajou a Israel para conhecer Uri Geller, que começava a chamar atenção por supostas habilidades psíquicas. Convencido de que alguns dos fenômenos apresentados mereciam investigação mais aprofundada, ele levou Geller aos Estados Unidos.
Nos anos seguintes, Geller participou de testes conduzidos em instituições como o Stanford Research Institute (SRI), onde pesquisadores tentaram avaliar suas alegações em condições controladas. Os experimentos contribuíram para tornar o israelense uma figura conhecida internacionalmente, embora os resultados continuem sendo alvo de controvérsias.
De acordo com os entrevistados, foi nesse ambiente de pesquisas psíquicas que ganharam força os relatos envolvendo os chamados Nove. A origem da história remonta a 1953, quando o médico indiano Dhundiraj G. Vinod teria participado de experimentos conduzidos por Puharich e entrado em transe durante uma das sessões.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADESegundo os relatos, Vinod passou a transmitir mensagens atribuídas a uma inteligência coletiva que se identificava como um conjunto de nove princípios ou forças fundamentais da natureza. Essa teria sido a primeira aparição dos Nove nos registros associados ao pesquisador.
Na época, Puharich já realizava estudos que despertavam interesse de setores militares e de inteligência dos Estados Unidos. A coincidência entre pesquisas financiadas por órgãos governamentais e relatos envolvendo entidades não físicas se tornou, posteriormente, um dos aspectos mais debatidos da história.
Décadas depois, os Nove voltariam a aparecer por meio de outros médiuns. Entre os nomes citados estão Uri Geller e, principalmente, Phyllis Schlemmer, que passou a transmitir longas mensagens atribuídas ao grupo durante sessões de canalização mediúnica realizadas nos anos 1970.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEAs mensagens descreviam os Nove não como visitantes extraterrestres convencionais, mas como inteligências sem forma física definida. Segundo os relatos, essas entidades poderiam ser acessadas apenas por indivíduos capazes de entrar em estados alterados de consciência.
Ao longo das sessões, eram abordados temas como a origem da humanidade, a evolução da civilização, a influência de inteligências avançadas sobre a Terra e a possibilidade de conhecimentos científicos ainda desconhecidos pela humanidade. Puharich acreditava que parte dessas informações poderia representar conceitos de uma ciência mais avançada e procurou registrar o material produzido.
Grande parte desse conteúdo foi posteriormente reunida no livro Briefing for the Landing on Planet Earth, publicado por Phyllis Schlemmer. A obra apresenta os Nove como inteligências extraterrestres ou extradimensionais supostamente envolvidas na evolução da humanidade e no desenvolvimento do planeta.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEOs entrevistados afirmam que, dentro dessa narrativa, os Nove eram considerados entidades hierarquicamente superiores a outros seres mencionados durante experiências de canalização. Segundo as mensagens atribuídas ao grupo, eles seriam responsáveis por supervisionar acontecimentos em escala planetária e cósmica.
Outro elemento que continua despertando interesse é a relação entre o trabalho de Puharich e a comunidade de inteligência americana. Registros históricos mostram que parte de suas pesquisas recebeu financiamento do Exército dos Estados Unidos e que ele manteve contato com figuras ligadas ao aparato de inteligência durante a Guerra Fria.
Documentos também registram correspondências entre Puharich e pessoas próximas ao então diretor da CIA, Allen Dulles. Para pesquisadores que estudam o tema, essa proximidade ajuda a explicar por que suas atividades continuaram atraindo atenção mesmo quando envolviam assuntos considerados pouco convencionais.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEAo longo dos anos, surgiram teorias sugerindo que programas governamentais poderiam ter utilizado pesquisas psíquicas para fins estratégicos, psicológicos ou de inteligência. Não há, porém, evidências públicas que comprovem qualquer ligação entre essas iniciativas e os relatos sobre os Nove.
A história também envolve figuras conhecidas da cultura popular. Entre elas está Gene Roddenberry, criador da série Star Trek, que teria participado de algumas reuniões relacionadas às experiências conduzidas por Puharich. A presença do roteirista alimentou especulações sobre possíveis influências dessas sessões em elementos da franquia de ficção científica.
Apesar das décadas de relatos, documentos e gravações acumulados, os próprios participantes da entrevista reconhecem que não há consenso sobre o que realmente aconteceu. Para Andy Puharich e Greg Mallozzi, permanecem abertas diferentes interpretações, que vão desde experiências espirituais genuínas até fenômenos psicológicos coletivos ou possíveis operações de influência ligadas ao contexto da Guerra Fria.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEMais de 70 anos após os primeiros registros, os Nove continuam sendo um dos capítulos mais peculiares da história das pesquisas psíquicas. A combinação de mediunidade, interesses governamentais, figuras influentes e alegações sobre inteligências não humanas mantém o tema presente em debates sobre consciência, espiritualidade e os limites do conhecimento humano.
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