Avi Loeb e Beatriz Villarroel divergem sobre luzes dos anos 1950
O astrofísico Avi Loeb e a pesquisadora Beatriz Villarroel protagonizam um debate científico sobre pontos luminosos registrados em placas fotográficas do levantamento astronômico Palomar Sky Survey na década de 1950. As imagens foram captadas antes do lançamento do primeiro satélite artificial e voltaram ao centro das discussões sobre possíveis fenômenos anômalos não identificados.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADELoeb publicou uma análise defendendo que os sinais podem ser explicados por impactos de raios cósmicos nas emulsões fotográficas usadas à época. Segundo o pesquisador, partículas energéticas atingindo as placas em ângulo quase perpendicular poderiam gerar pequenos pontos brilhantes, sem deixar rastros lineares.
O cientista comparou o efeito ao relatado por astronautas da missão Apollo 11 Moon Landing. Durante o voo de 1969, Buzz Aldrin descreveu flashes observados dentro da cabine, posteriormente associados ao impacto de raios cósmicos na retina humana.
Com base em cálculos sobre o tempo de exposição das placas fotográficas, Loeb estima que cada imagem poderia receber dezenas de milhares de impactos de partículas durante aproximadamente uma hora de observação. Para ele, isso explicaria a presença natural de múltiplos pontos transitórios sem necessidade de recorrer à hipótese de objetos de origem não humana.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEO pesquisador também levantou a possibilidade de partículas liberadas por testes nucleares atmosféricos terem influenciado alguns registros históricos. Segundo Loeb, essa hipótese poderia ajudar a entender associações frequentemente feitas entre fenômenos anômalos não identificados e atividades nucleares no século passado.
A interpretação, porém, é contestada por Villarroel, responsável pelo projeto VASCO. A pesquisadora afirma que o modelo baseado em raios cósmicos não explica padrões específicos encontrados pela equipe em diferentes conjuntos de dados históricos.
Entre os argumentos apresentados está a ausência dos pontos luminosos em regiões correspondentes à sombra geométrica da Terra a cerca de 42 mil quilômetros de altitude. Segundo Villarroel, partículas cósmicas dispersas na atmosfera não produziriam uma distribuição compatível com esse padrão.
A equipe também identificou uma anticorrelação com tempestades geomagnéticas. Pela hipótese dos raios cósmicos, seria esperado um aumento de ocorrências durante períodos de maior atividade solar, mas os dados analisados indicariam redução desses eventos.
Outro ponto citado pela pesquisadora é que os sinais evitariam o plano da eclíptica, região do céu onde se concentram os corpos do Sistema Solar. Para ela, esse comportamento não corresponde ao padrão esperado de um bombardeio homogêneo de partículas subatômicas.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEO debate ganhou repercussão fora do meio acadêmico após manifestações públicas do explorador Dennis Asberg, ligado ao projeto de Villarroel. Ele defendeu o rigor metodológico das pesquisas e criticou abordagens consideradas desdenhosas em relação ao estudo das anomalias.
Loeb sustenta que observatórios modernos poderão encerrar a discussão. O pesquisador cita a câmera de 3,2 gigapixels do Vera C. Rubin Observatory como instrumento capaz de detectar possíveis objetos transitórios com precisão muito superior à disponível nos anos 1950.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEApesar das tentativas de explicação convencional, a origem exata dos registros históricos segue indefinida. Parte dos pesquisadores considera que os dados ainda exigem investigação adicional antes de qualquer conclusão sobre a natureza das luzes detectadas nas antigas placas astronômicas.
Quer continuar acompanhando conteúdos como este? Junte-se a nós no Facebook e participe da nossa comunidade!
Seguir no Facebook