Descoberta revela uso de cavalos na Península Ibérica há 3.300 anos
Pesquisadores da Universidade de Córdoba, do CSIC e outras instituições documentaram no sítio arqueológico Castillo Reyes, em Pinto, Madrid, evidências que indicam o uso de cavalos para montaria e transporte na Península Ibérica há 3.300 anos. A descoberta, publicada na revista Journal of Archaeological Science: Reports, revela aspectos importantes da cultura Cogotas I, que floresceu entre 1450 e 1150 a.C.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEEvidências de uso de cavalos na cultura Cogotas I
Os vestígios encontrados incluem um fragmento craniano de um cavalo adulto, que apresenta sulcos característicos causados pelo uso de dispositivos de controle, como freios. Análises isotópicas indicam que esses animais eram transportados entre regiões climáticas distintas. Os pesquisadores afirmam que as marcas observadas no crânio são comparáveis às encontradas em cavalos modernos que são montados regularmente, sugerindo um uso semelhante na época.

Análise do crânio e suas implicações
O crânio analisado apresenta um sulco bem definido, com profundidade e características que correspondem a cavalos domesticados. A pesquisa revelou que o sulco se forma pela ação combinada do músculo lateralis nasi e da cartilagem nasal acessória, que são submetidos a tensões repetidas durante o controle do animal. A profundidade do sulco, de até 0,26 centímetros, é maior do que a observada em equinos selvagens, reforçando a hipótese de que esses animais eram utilizados para montaria.

Características do sítio arqueológico Castillo Reyes
O sítio Castillo Reyes abrange cerca de 110.000 metros quadrados e revelou um total de 878 estruturas negativas, predominantemente silos ou fossas de armazenamento. A ausência de muros ou defesas sugere que os habitantes não enfrentavam ameaças externas significativas. Entre os restos faunais, os cavalos representam o terceiro grupo mais importante, com 721 espécimes identificados, indicando uma exploração que vai além do consumo de carne, uma vez que muitos animais alcançaram idades avançadas.
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Contexto cultural da cultura Cogotas I
A cultura Cogotas I, que se estende pela Meseta norte e parte da península central, é frequentemente associada a sociedades pastorais semi-nômades. Essas comunidades apresentavam assentamentos instáveis e uma dependência de práticas de pastoreio. A descoberta de que os cavalos eram mantidos até idades avançadas sugere que eles desempenhavam papéis significativos na mobilidade e na conexão entre diferentes regiões, além de serem utilizados como fonte de alimento.
A pesquisa sobre o uso de cavalos na cultura Cogotas I oferece novas perspectivas sobre a interação humana com esses animais na Península Ibérica. A documentação dessas evidências enriquece o entendimento das práticas culturais e sociais da época, destacando a importância dos cavalos não apenas como recurso alimentar, mas também como elementos fundamentais para a mobilidade e a organização social das comunidades.
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