Cometa interestelar 3I/ATLAS apresenta gelo rico em poeira
Recentemente, astrônomos que utilizam o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA fizeram uma descoberta significativa sobre o cometa interestelar 3I/ATLAS. A análise revelou que o gelo de água presente no cometa está misturado a material rochoso escuro em grãos diminutos, apresentando características espectrais distintas das encontradas em cometas do sistema solar.
Descoberta do Telescópio James Webb
A pesquisa liderada por Silvia Protopapa e sua equipe utilizou o instrumento NIRSpec do Telescópio James Webb para comparar o cometa 3I/ATLAS com corpos gelados do sistema solar. Os resultados indicam que a composição do cometa é diferente, com características espectrais que se assemelham a algumas das luas geladas além de Netuno. Essa comparação é crucial para entender a formação inicial dos blocos de construção de planetas.
Características espectrais do 3I/ATLAS
As observações mostraram uma forte absorção de água no espectro do cometa, mas com bandas de absorção fracas ou ausentes em comprimentos de onda de 1,5 e 2,0 micrômetros. Essa diferença sugere que os grãos de gelo do 3I/ATLAS são menores que alguns micrômetros e contêm uma mistura de gelo de água e material refratário. Essa composição é distinta dos grãos de gelo mais puros encontrados em cometas do sistema solar.
Implicações para a formação de planetas
Os pesquisadores sugerem que os planetesimais gelados formados ao redor de diferentes estrelas podem compartilhar uma continuidade nas propriedades dos grãos de gelo, variando de gelo puro a gelo misturado com material refratário. O 3I/ATLAS estaria posicionado na extremidade rica em refratário dessa escala. Essa descoberta pode indicar que a forma física do gelo de água é estabelecida precocemente em discos de formação planetária e é parcialmente preservada nos corpos gelados que se formam nesses ambientes.
Observações e análises realizadas
As observações do 3I/ATLAS foram realizadas em três datas distintas: 6 de agosto, 22 de dezembro de 2025 e 1 de abril de 2026, abrangendo um período de aproximadamente oito meses em torno da aproximação do cometa ao Sol em 29 de outubro de 2025. As análises revelaram emissões de gás de água, dióxido de carbono e monóxido de carbono, além de sugerirem a existência de uma segunda população de grãos de gelo ricos em água, maiores e com tamanhos de micrômetros. A equipe de pesquisa continua a investigar se as mudanças observadas ao longo do tempo são resultado do aquecimento solar ou da exposição de novo material à medida que a superfície do cometa se erode.
Essas descobertas sobre o cometa 3I/ATLAS não apenas ampliam o conhecimento sobre a composição de cometas interestelares, mas também oferecem novas perspectivas sobre a formação de planetas em diferentes sistemas estelares. A pesquisa, publicada no Astrophysical Journal Letters, destaca a importância de entender as propriedades dos grãos de gelo para elucidar a história da formação planetária no universo.
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