Discos de poeira em buracos negros podem gerar planetas
Um novo estudo conduzido por astrônomos da Universidade Estadual do Novo México, do Centro Astronômico Nicolaus Copernicus e do CUNY Borough of Manhattan Community College sugere que os tori ricos em poeira que cercam núcleos galácticos ativos (AGN) podem ser locais propícios para a formação de planetas. A pesquisa, publicada no Astrophysical Journal, revela que esses ambientes extremos podem comportar processos semelhantes aos encontrados em discos protoplanetários ao redor de estrelas jovens.
Estudo revela potencial de formação planetária em AGNs
Os pesquisadores, liderados pelo astrofísico Wladimir Lyra, afirmam que os tori de poeira em AGNs têm o potencial de abrigar as maiores populações de planetas do universo. Segundo o estudo, a formação de planetas ocorre em discos de gás e poeira ao redor de estrelas jovens, mas agora se observa que ambientes como os discos em torno de buracos negros supermassivos também podem favorecer esse processo. A pesquisa sugere que esses discos podem conter dezenas de milhões de objetos com massa planetária.
Mecanismos de formação de planetas em ambientes extremos
O estudo destaca que, em um disco AGN fortemente magnetizado, grãos de poeira de tamanhos variados podem se aglomerar e iniciar um fenômeno conhecido como instabilidade de streaming. Essa instabilidade concentra a poeira em filamentos densos que colapsam sob sua própria gravidade, resultando na formação de objetos que variam de corpos com massa semelhante à da Terra a super-Júpiteres. O Dr. Lyra explica que essa formação ocorre de forma diferente da tradicional, onde normalmente se parte de uma nuvem de gás que colapsa.
Teoria do ‘canal AGN’ e suas implicações
Os pesquisadores desenvolveram a teoria do ‘canal AGN’, que propõe que buracos negros de baixa massa orbitando o disco de buracos negros supermassivos se comportariam como embriões planetários. Essa nova abordagem sugere que esses buracos negros poderiam migrar, alterar suas órbitas e colidir com outros protoplanetas, contribuindo para a formação de buracos negros pesados. Essa teoria é apoiada por evidências observacionais que indicam um novo caminho para a formação de estrelas.
Possíveis detecções futuras de buracos negros massivos
A pesquisa também sugere que as estrelas recém-formadas nos discos AGN poderiam colapsar em buracos negros, que, por sua vez, poderiam se fundir em buracos negros de grande massa. Esses eventos seriam detectáveis por futuros observatórios de ondas gravitacionais, como a Laser Interferometer Space Antenna (LISA), prevista para ser lançada na metade da década de 2030. O Dr. Bhupendra Mishra menciona que esses buracos negros podem ter centenas ou milhares de vezes a massa do Sol, gerando sinais que poderão ser captados por LISA.
O estudo apresenta uma nova perspectiva sobre a formação planetária em ambientes extremos, ampliando o entendimento sobre como os planetas podem se formar em locais antes considerados inóspitos. A pesquisa abre caminho para futuras investigações sobre a dinâmica dos AGNs e suas implicações na formação de estruturas cósmicas.
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