Especialistas rebatem estudo brasileiro que questiona autenticidade do Sudário de Turim
Pesquisadores sindonologistas — especialistas dedicados ao estudo científico e histórico do Sudário de Turim — publicaram uma crítica contundente a um estudo brasileiro que havia sugerido que a famosa imagem impressa no pano não resultou do contato com um corpo humano, mas sim da impressão sobre um baixo-relevo. A resposta, veiculada em um comentário acadêmico na mesma revista Archaeometry que publicou o estudo original, aponta diversas falhas metodológicas e lacunas históricas na argumentação do autor brasileiro.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEO estudo em questão foi conduzido por Cícero Moraes, designer digital e pesquisador 3D, que utilizou softwares de modelagem tridimensional para simular como um tecido de linho — semelhante ao Sudário de Turim — se comportaria ao ser colocado sobre um corpo humano versus um molde em baixo-relevo. Moraes concluiu que as marcas e contornos visíveis no tecido são mais compatíveis com a impressão de uma escultura plana ou ligeiramente elevada, e não com a forma de um corpo real. Essa conclusão levou à hipótese de que o Sudário seria, na verdade, uma obra de arte religiosa medieval, e não um verdadeiro pano funerário do século I.
Entretanto, no comentário publicado por três especialistas renomados na área — Tristan Casabianca, Emanuela Marinelli e Alessandro Piana — os pesquisadores dissociam de maneira sistemática as conclusões de Moraes. Segundo eles, o estudo brasileiro apresenta “objetivos ambíguos, falhas metodológicas e raciocínio falacioso”, sendo incapaz de refletir fielmente as características físicas e químicas do Sudário, conforme detalhou o Vatican News.
Entre os pontos criticados estão a escolha de modelos digitais incompletos, a falta de consideração de propriedades anatômicas essenciais e a carência de uma fundamentação histórica sólida.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEOs críticos apontam que a modelagem realizada por Moraes ignora características fundamentais do tecido, como a extrema superficialidade da imagem — registrada em apenas uma fração da espessura das fibras do linho — e as múltiplas confirmações independentes de presença de sangue, elementos que não seriam compatíveis com qualquer prática artística medieval conhecida, como ressaltado em análise publicada pela Gaudium Press. Além disso, eles ressaltam que versões anteriores da hipótese do baixo-relevo já haviam sido discutidas e descartadas em periódicos acadêmicos desde a década de 1980, e que outras explicações históricas mais robustas não foram devidamente consideradas.
A própria Igreja Católica, por meio de seu Centro Internacional de Estudos sobre o Sudário de Turim (CISS) e do arcebispo de Turim, cardeal Roberto Repole, havia criticado o estudo brasileiro quando este ganhou destaque no ano passado, conforme noticiado pela agência Zenit, salientando que as conclusões superficiais não resistem a uma análise mais aprofundada dos dados.
O Sudário de Turim continua sendo um dos artefatos mais debatidos do mundo. Enquanto muitos fiéis o veneram como o pano que envolveu o corpo de Jesus Cristo depois da crucificação, outros questionam sua origem com base em datações por radiocarbono que situam o tecido na Idade Média (séculos XIV) e em diferentes interpretações científicas e históricas. A controvérsia se intensifica à medida que novas técnicas, como modelagem 3D e análise digital, entram no debate, sem, todavia, fornecer um consenso definitivo.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEEssa troca acadêmica recente ilustra não apenas a complexidade da questão, mas também a dificuldade de conciliar abordagens digitais inovadoras com os critérios rigorosos que regem estudos históricos e científicos de artefatos tão sensíveis. Mesmo especialistas reconhecendo a originalidade do uso de tecnologia contemporânea, reforçam que qualquer teoria sobre a origem do Sudário deve se apoiar em evidências que levem em conta não apenas simulações, mas também dados físicos, químicos, arqueológicos e contextos históricos amplamente verificados.
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