Estudo sugere que o “Inferno” de Dante descreveu um impacto planetário
Um estudo apresentado na Assembleia Geral da União Europeia de Geociências (EGU), em Viena, sugere que a estrutura do Inferno descrita por Dante Alighieri na “Divina Comédia” guarda semelhanças com crateras complexas formadas por impactos de asteroides. A pesquisa foi liderada por Iain Stewart, da Universidade de Plymouth, e propõe que o poeta italiano teria representado, no século 14, características geológicas que só seriam descritas formalmente pela ciência cerca de 500 anos depois.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADENa obra “Inferno”, Dante descreve o submundo como um enorme cone invertido sob a superfície terrestre, dividido em nove círculos concêntricos que se estreitam até um núcleo congelado. Segundo os pesquisadores, essa geometria se aproxima da estrutura conhecida na ciência planetária como “cratera complexa de impacto”, formada após colisões de grandes asteroides.

Essas crateras apresentam paredes internas em degraus, elevação central e uma ampla bacia interna. De acordo com o estudo, esses elementos correspondem de forma “surpreendentemente próxima” à configuração espacial descrita por Dante.
Os autores afirmam que o escritor florentino era influenciado pela filosofia natural medieval, baseada em pensadores como Aristóteles e em estudiosos árabes responsáveis por preservar e transmitir conhecimento clássico à Europa medieval.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEA hipótese apresentada na EGU não sustenta que Dante tivesse conhecimento científico moderno sobre impactos planetários. O argumento central é que conceitos físicos e geométricos presentes na tradição filosófica da época podem ter levado o autor a criar uma representação compatível com estruturas geológicas reais.
O estudo destaca especialmente a cratera de Chicxulub, localizada sob o Golfo do México. Formada há cerca de 66 milhões de anos pelo asteroide associado à extinção dos dinossauros, ela é considerada uma das crateras de impacto mais estudadas do planeta.

Segundo os pesquisadores, características como o anel central elevado, as paredes em terraços e a bacia interna de Chicxulub servem como um paralelo moderno para a descrição do Inferno de Dante.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEA pesquisa também menciona que a escala do Inferno descrito na “Divina Comédia”, comparável ao tamanho da bacia do Mediterrâneo, seria compatível com impactos terrestres de grande magnitude. Os autores, porém, reconhecem que isso pode ser apenas coincidência.
O trabalho foi apresentado durante a Assembleia Geral da EGU, um dos principais encontros internacionais das áreas de geociências e ciência planetária. O estudo ainda não foi publicado em revista científica revisada por pares, e os próprios pesquisadores classificam a hipótese como especulativa.

A proposta se insere em uma linha de pesquisas que investiga possíveis conhecimentos naturais preservados em textos antigos e medievais. Estudos anteriores já analisaram interpretações astronômicas associadas a sítios arqueológicos como Göbekli Tepe e mitologias relacionadas a eventos de impacto cósmico.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEPara Stewart e sua equipe, a relevância da hipótese está menos na comprovação histórica e mais na convergência entre imaginação literária, filosofia natural medieval e conceitos modernos da geologia planetária.
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