Estudo sugere que a Terra pode escapar de ser engolida pelo Sol
Durante décadas, modelos astronômicos indicavam que a Terra seria inevitavelmente engolida pelo Sol durante as fases finais da evolução da estrela. Um novo estudo publicado na revista científica Astronomy & Astrophysics, no entanto, sugere que o destino do planeta pode ser diferente do previsto anteriormente.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADESegundo a pesquisa, a sobrevivência da Terra dependerá de um equilíbrio delicado entre dois processos que ocorrerão quando o Sol esgotar o hidrogênio em seu núcleo, daqui a aproximadamente 5 bilhões de anos. Nessa etapa, a estrela entrará na fase de gigante vermelha e, posteriormente, na chamada fase de ramo assintótico das gigantes (AGB), expandindo-se drasticamente.
De acordo com os autores, a expansão solar aumentará as interações gravitacionais entre a estrela e os planetas internos, tendendo a puxar a Terra para mais perto. Ao mesmo tempo, o Sol perderá uma quantidade significativa de massa por meio de ventos estelares, o que poderia empurrar a órbita terrestre para regiões mais distantes do Sistema Solar.
“O destino da Terra depende de um equilíbrio delicado entre esses dois efeitos”, afirmou Mats Esseldeurs, autor principal do estudo. Segundo o pesquisador, se as interações de maré gravitacional predominarem, o planeta será engolido pela estrela. Caso a perda de massa solar seja mais significativa, a Terra poderá migrar para uma órbita mais distante do que o raio máximo alcançado pelo Sol.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEOs pesquisadores afirmam que estudos anteriores favoreciam o cenário de destruição do planeta, mas utilizavam modelos simplificados para calcular as interações gravitacionais. A nova pesquisa incorporou avanços obtidos nas últimas décadas sobre a física das marés estelares e utilizou observações da estrela L2 Puppis, considerada pelos autores um análogo evoluído do Sol.
“Uma compreensão mais precisa da física das marés e das restrições mais avançadas sobre a perda de massa permitem sugerir que a Terra pode se afastar do Sol, ao contrário do que se previa anteriormente”, declarou Stephane Mathis, astrofísico do CEA Paris-Saclay e coautor do trabalho.
As novas projeções também indicam que Marte poderia escapar da expansão solar. Mercúrio e Vênus, por outro lado, continuariam destinados a serem absorvidos pela estrela durante sua fase de gigante vermelha.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEAo final desse processo evolutivo, o Sol deverá se transformar em uma anã branca, estágio final de estrelas com massa semelhante à sua, caracterizado por um objeto extremamente denso e com luminosidade progressivamente reduzida.
Embora o novo modelo sugira a possível sobrevivência física da Terra, os pesquisadores destacam que as condições de habitabilidade do planeta seriam perdidas muito antes desse cenário. De acordo com as estimativas atuais, o aumento gradual da luminosidade solar poderá tornar a superfície terrestre inabitável em cerca de 1 bilhão de anos, levando à evaporação dos oceanos.
O estudo também menciona cenários hipotéticos de longo prazo para a sobrevivência da vida, incluindo a migração para regiões mais distantes do Sistema Solar e propostas teóricas de megaengenharia capazes de alterar gradualmente a órbita terrestre. Essas possibilidades, contudo, permanecem no campo da especulação tecnológica e referem-se a escalas de tempo muito superiores à história conhecida da civilização humana.
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