Descoberto acampamento militar grego do século II a.C. no Uzbequistão
Uma equipe arqueológica composta por pesquisadores da República Tcheca e do Uzbequistão revelou a existência de um acampamento militar grego do século II a.C. em Iskandar Tepa, uma localidade situada na fronteira entre Bactria e Sogdiana, no sul do Uzbequistão. A descoberta, que muda a interpretação do local, foi publicada no Journal of Archaeological Science: Reports.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEContexto da descoberta em Iskandar Tepa
Iskandar Tepa, localizado no Vale Loylagan, no distrito de Sherbod, foi inicialmente considerado um simples agrupamento de potes sem estrutura interna. A pesquisa, liderada por Ladislav Stanco, da Universidade Charles de Praga, utilizou técnicas de geofísica para investigar a área, que se estende por 3,5 hectares. A análise revelou a presença de um acampamento militar grego, cercado por um fosso perimetral de 400 metros de comprimento.

Métodos de pesquisa utilizados pela equipe arqueológica
A equipe aplicou magnetometria e radar de penetração no solo para identificar anomalias na estrutura do solo. Essas técnicas permitiram mapear a área e confirmar a existência de estruturas enterradas. As escavações seletivas realizadas em seções do fosso, identificadas como IT21-01 e IT21-05, possibilitaram medir a profundidade do fosso, que varia entre 85 centímetros e 1 metro.

Características do fosso perimetral encontrado
O fosso encontrado apresenta entre 3 e 5 metros de largura e é completamente invisível a olho nu e em imagens de satélite convencionais. A análise das paredes do fosso revelou que a parede interna possui uma leve saliência, enquanto a parede externa é composta por dois degraus, com cerca de 20 centímetros de altura e 50 centímetros de largura. O fundo do fosso atinge 170 centímetros de largura, e a equipe conseguiu reconstruir o processo de preenchimento do fosso, observando que os primeiros depósitos eram de origem eólica.
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Análises das jarros de armazenamento e sepulturas
Dentro da área delimitada pelo fosso, a magnetometria revelou anomalias circulares que correspondem a grandes jarros de armazenamento, conhecidos localmente como khums. Três desses jarros foram desenterrados, com alturas preservadas de até um metro e diâmetros superiores a 70 centímetros. As análises indicam que esses jarros provavelmente continham líquidos, possivelmente água, que poderia ter sido coletada através de um canal detectado na encosta norte ou por meio de chuvas. Além disso, foram identificados 32 fossas de sepultamento do lado leste e 57 do lado oeste do morro, sugerindo uma prática funerária que remonta ao período de transição entre o domínio grego e o Kushan.

A descoberta em Iskandar Tepa não apenas elucida aspectos da presença grega na região, mas também abre novas perspectivas sobre a organização social e as práticas funerárias da época. A pesquisa continua a ser um campo fértil para novas descobertas, que podem aprofundar o entendimento sobre a história antiga do Uzbequistão.
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