Tesouros ressurgem da cidade submersa de Canopus, no Egito

A recuperação ocorreu durante as operações do Patrimônio Cultural Subaquático, com a presença de autoridades egípcias de alto escalão, incluindo o Ministro do Turismo e Antiguidades, Sherif Fathy, o Governador de Alexandria, General de Divisão Ahmed Khaled Hassan Said, o Comandante da Marinha e o Comandante da Região Militar do Norte. Diplomatas, embaixadores e cônsules estrangeiros também acompanharam a operação, ressaltando seu valor cultural.
Entre os artefatos recém-descobertos está uma colossal estátua de esfinge em quartzo com o cartucho do faraó Ramsés II, lembrança das antigas conexões de Canopus com as dinastias mais poderosas do Egito. Também foram encontrados uma estátua de granito de uma figura não identificada do final do período ptolomaico, quebrada nos joelhos e no pescoço, e uma estátua de mármore branco de um nobre romano, lembrando o caráter cosmopolita da cidade.
O Ministro Sherif Fathy elogiou a colaboração entre arqueólogos, forças navais egípcias e as Forças Armadas, destacando que “o compromisso do Estado com a preservação do patrimônio é a chave para manter a identidade civilizacional do Egito e seu legado humano único.”

A cidade de Canopus, situada no ramo ocidental do Delta do Nilo, era um próspero centro comercial e religioso muito antes da fundação de Alexandria, no século IV a.C. Peregrinos visitavam seus templos de Osíris e Serápis para assistir aos Mistérios de Osíris, um festival que reencenava a morte e a ressurreição do deus. Ao longo dos séculos, porém, terremotos, mudanças geológicas e o aumento do nível do mar engoliram a cidade. Hoje, grande parte de Canopus está submersa nas águas da Baía de Abu Qir, com algumas áreas ocupadas pela cidade moderna.
O General de Divisão Ahmed Khaled Hassan Said destacou o significado mais amplo da descoberta para Alexandria. “Não se trata apenas de encontrar artefatos raros, mas de reviver uma parte genuína da grande história do Egito e acrescentar novos capítulos valiosos ao registro civilizacional do país”, afirmou.
As escavações na Baía de Abu Qir vêm ocorrendo há décadas, sendo as mais proeminentes lideradas pelo arqueólogo francês Franck Goddio e sua equipe, em parceria com o Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito. Seus trabalhos anteriores revelaram templos, portos e estátuas colossais.
O Dr. Mohamed Ismail Khaled, Secretário-Geral do Supremo Conselho de Antiguidades, observou que esta nova descoberta é a primeira do tipo desde que o Egito ratificou a Convenção da UNESCO para a Proteção do Patrimônio Cultural Subaquático, em 2001. Dr. Khaled descreveu Abu Qir como “uma testemunha viva da grandeza da história e da civilização do Egito”, confirmando que novas escavações estão em andamento. Um dos principais anúncios futuros, segundo Khaled, envolverá um naufrágio carregado de mercadorias que lançará luz sobre o comércio no Mediterrâneo na antiguidade.
Levantamentos do local revelam os restos de uma cidade completa da era romana, incluindo templos, cisternas, cais, tanques de peixes e até um antigo porto com 125 metros de comprimento. Entre os achados estão ânforas com selos e moedas de diferentes períodos — egípcias, ptolomaicas, romanas, bizantinas e islâmicas — indicando séculos de continuidade cultural.
Embora a maior parte dos artefatos permaneça submersa para sua conservação, o Egito planeja continuar desenvolvendo a Baía de Abu Qir como um local de pesquisa e turismo patrimonial.
Mais informações: Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito.