Pedreira de 220 mil anos na África do Sul
Uma descoberta arqueológica na África do Sul está levando pesquisadores a reavaliar o entendimento sobre como os primeiros seres humanos obtinham matéria-prima para a fabricação de ferramentas. Evidências encontradas no sítio arqueológico de Jojosi indicam que grupos humanos realizavam extração sistemática de pedra há cerca de 220 mil anos, em um período muito anterior ao que se imaginava para esse tipo de atividade organizada.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEO local contém milhares de fragmentos de hornfels, uma rocha metamórfica de granulação fina considerada adequada para a produção de ferramentas cortantes. Durante as escavações, os arqueólogos identificaram blocos de pedra testados, percutores utilizados para quebrar rochas, lascas de diferentes tamanhos e grandes quantidades de resíduos resultantes do processo de fabricação.
Segundo os pesquisadores, o conjunto de vestígios sugere uma operação voltada especificamente para a obtenção e o processamento inicial da matéria-prima. A concentração de resíduos e artefatos relacionados à extração diferencia o sítio de áreas onde pedras eram apenas coletadas ocasionalmente durante deslocamentos ou atividades de caça.

Outro aspecto observado pelos arqueólogos é a escassez de evidências de ocupação prolongada. O local apresenta poucos indícios de atividades cotidianas associadas a assentamentos humanos, o que reforça a interpretação de que Jojosi funcionava como uma área especializada na obtenção de recursos minerais destinados ao uso em outros locais.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEA descoberta desafia uma visão tradicional da arqueologia segundo a qual grupos do Paleolítico obtinham matéria-prima de forma oportunista, aproveitando pedras encontradas ao longo de seus trajetos. As evidências de Jojosi indicam que esses grupos conheciam depósitos específicos de rocha de qualidade superior e retornavam repetidamente ao mesmo local ao longo de milhares de anos.
De acordo com os pesquisadores, esse comportamento sugere planejamento, conhecimento detalhado da paisagem e possível transmissão de informações entre gerações. A escolha deliberada de determinadas fontes de matéria-prima demonstra um nível de organização que amplia a compreensão sobre as capacidades tecnológicas dos seres humanos que viveram na África durante esse período.
As análises indicam que a pedreira foi utilizada entre aproximadamente 220 mil e 110 mil anos atrás, uma fase considerada fundamental para a evolução dos comportamentos associados aos seres humanos modernos no continente africano.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEPara os arqueólogos envolvidos no estudo, o sítio de Jojosi oferece uma rara oportunidade de observar como populações pré-históricas gerenciavam recursos naturais muito antes do surgimento das primeiras sociedades agrícolas ou urbanas. O que hoje parece apenas uma dispersão de pedras fragmentadas pode representar um dos mais antigos exemplos conhecidos de extração organizada de matéria-prima na história da humanidade.
Detalhes da publicação: Manuel Will e colaboradores, Aquisição especializada e persistente de matérias-primas por humanos no Pleistoceno Médio, Nature Communications (2026). DOI: 10.1038/s41467-026-70783-8.
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