Alienígenas podem usar padrões luminosos para se comunicar
Muito antes de a ciência descobrir que outras estrelas abrigam seus próprios sistemas planetários, a humanidade já se perguntava se existiria vida fora da Terra. Com o avanço tecnológico e a observação do céu em diferentes comprimentos de onda, essa curiosidade se transformou em pesquisa formal — originando, nos anos 1960, o campo conhecido como Busca por Inteligência Extraterrestre.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEDesde então, diversos projetos vêm tentando detectar possíveis “tecnossinais”, como transmissões alienígenas. A estratégia predominante busca emissões de rádio, como no ambicioso programa Breakthrough Listen, ou sinais térmicos associados a megaconstruções espaciais. Até agora, porém, não surgiram evidências conclusivas. Uma nova pesquisa da Escola de Exploração da Terra e do Espaço da Universidade Estadual do Arizona (ASU) argumenta que podemos estar presos a um viés antropocêntrico nesse processo.
O estudo envolve também pesquisadores do Beyond Center, do School of Complex Adaptive Systems e do Biodesign Center for Biocomputing, Security and Society, além de cientistas do Santa Fe Institute e da Universidade do Colorado. O trabalho está em revisão para publicação na PNAS Nexus.

Segundo os autores, a busca por inteligência extraterrestre tem sido, historicamente, uma busca pelo familiar: sinais e tecnologias que se parecem com as nossas. Um exemplo clássico é o Projeto Ozma, inspirado no uso terrestre do rádio como meio de comunicação. Embora eficaz para grandes distâncias, o planeta vem se tornando menos “barulhento” em rádio ao longo das décadas, devido ao surgimento de satélites, fibra óptica e internet. Buscar apenas ondas de rádio, portanto, significa investigar apenas uma pequena janela do nosso próprio desenvolvimento tecnológico.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADENos últimos anos, a comunidade SETI ampliou a lista de candidatos a tecnossinais, incluindo lasers, neutrinos e até ondas gravitacionais. Ainda assim, as dificuldades persistem, especialmente porque não sabemos o que procurar.
Para Estelle Janin, doutoranda da ASU e coautora do estudo, a SETI precisa de novas referências. “Como não sabemos se uma inteligência será semelhante à humana ou inerentemente ‘estranha’, o campo precisa de teorias mais amplas que identifiquem propriedades gerais da vida e da comunicação”, explica.
A equipe propõe olhar para espécies não humanas na Terra. Para isso, usou como referência o sistema de comunicação dos vagalumes, que se comunicam por meio de padrões luminosos específicos. Cada espécie desenvolveu um tipo de flash capaz de se destacar do ambiente, permitindo identificação e reduzindo riscos de predação. O raciocínio é que um sinal alienígena poderia seguir princípios semelhantes: ser reconhecível contra o fundo do cosmos.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEOs pesquisadores simularam como um sinal evoluído poderia se destacar do “ruído” produzido por pulsares — estrelas de nêutrons que emitem radiação em intervalos regulares. Quando descobertos em 1967, inclusive, muitos cientistas consideraram a hipótese de serem transmissões artificiais.
Ao comparar os sinais artificiais simulados com dados reais de 158 pulsares em um raio de 5 mil parsecs (cerca de 16.300 anos-luz), o estudo concluiu que os sinais “otimizados” consumiam até 99% menos energia que a maioria dos pulsares, enquanto permaneciam distinguíveis do fundo. A lógica é semelhante à dos vagalumes: maximizar a visibilidade gastando o mínimo possível.

De acordo com Janin, os resultados mostram que um sinal não precisa ser complexo ou semanticamente compreensível para indicar vida. Basta apresentar estrutura e características compatíveis com processos evolutivos. “Estudar formas não humanas de comunicação pode manter a SETI ancorada em evidências enquanto ampliamos nossas expectativas sobre como uma civilização alienígena poderia se expressar”, afirma.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE- Veja também: Estaria a consciência conectada a outra dimensão?
O trabalho integra um movimento crescente dentro da astrobiologia que defende a expansão do escopo da busca — incluindo tecnologias exóticas, formas de vida não convencionais e novas vias de comunicação. No futuro, pesquisas podem rastrear sinais derivados de lasers, comunicações quânticas, emissões de neutrinos e até propulsão dirigida.
O estudo já está disponível como preprint no repositório arXiv e aguarda publicação oficial pela PNAS Nexus.
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