Análise de pólen indica que xamã foi sepultada com flores há 9.000 anos.
Uma nova pesquisa científica lançou luz sobre uma das mais notáveis descobertas arqueológicas da Europa Central: o túmulo de 9.000 anos da chamada “Xamã de Bad Dürrenberg”. Análises recentes de pólen sugerem que a mulher, que se acredita ter sido uma líder espiritual, foi sepultada cercada por flores, oferecendo uma rara e colorida visão dos rituais funerários pré-históricos.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEO sepultamento, localizado no distrito de Saalekreis, na Saxônia-Anhalt, remonta ao período Mesolítico. Arqueólogos acreditam que o túmulo pertence a uma mulher de 30 a 40 anos, que foi enterrada com um bebê de aproximadamente seis meses. Pesquisas genéticas de 2023 indicaram que o bebê não era seu filho direto, mas sim um parente de quarto ou quinto grau. Artefatos encontrados, como um cocar feito de chifres de veado e pingentes de dentes de animais, sugerem que a mulher possuía um papel especial em sua comunidade, possivelmente como uma xamã ou líder espiritual.
A descoberta original do túmulo ocorreu acidentalmente em 1934, durante a construção de um sistema de esgoto. Devido à urgência da escavação, que foi concluída em apenas uma tarde, grande parte da cova funerária circundante permaneceu intocada. Em 2019, arqueólogos retornaram ao local no parque termal de Bad Dürrenberg, em preparação para uma exposição de jardins. Seus trabalhos revelaram que porções da cova original, ainda manchadas com ocre vermelho, haviam permanecido intactas por décadas.
Os pesquisadores removeram cuidadosamente seções da área do sepultamento para estudo em laboratório. Entre as descobertas mais significativas estavam pequenos, mas importantes, vestígios de pólen. Sob análise microscópica, a palinóloga Elisabeth Endtmann, do Escritório Estadual de Geologia e Mineração da Saxônia-Anhalt, identificou pólen de várias plantas florais, incluindo ulmeira (Meadowsweet), verbasco (Mullein), botão-de-ouro (Buttercup) e sucessa (Devil’s-bit scabious) – plantas conhecidas por suas cores vibrantes.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEA concentração de pólen foi particularmente notável ao redor da cabeça da falecida. Segundo Endtmann, as flores podem ter sido colocadas ao redor da cabeça da mulher durante o sepultamento, ou o pólen pode ter ficado preso em seu cabelo enquanto ela estava viva. Embora a quantidade limitada de pólen impeça uma conclusão definitiva, os achados sugerem fortemente que as plantas desempenharam um papel crucial no ritual funerário.

Curiosamente, muitas das plantas identificadas são conhecidas por suas propriedades medicinais na fitoterapia tradicional. Folhas de bétula, casca de amieiro-negro (buckthorn), lúpulo e alquemila (lady’s mantle) – todos encontrados entre os restos de pólen – têm sido usados há muito tempo para tratamentos que variam de cuidados com feridas a remédios digestivos. O arqueólogo estadual Harald Meller observa que, embora não se possa afirmar que a xamã conhecia as propriedades medicinais das plantas, há inúmeros exemplos etnográficos de xamãs que utilizam plantas medicinais.
Os períodos de floração dessas plantas também podem indicar a época do sepultamento. Os pesquisadores acreditam que a maior sobreposição nos tempos de floração ocorre em julho, sugerindo que a xamã foi provavelmente enterrada no meio do verão. A descoberta de algas verdes no túmulo, possivelmente aderidas às penas de aves aquáticas, adiciona outro detalhe intrigante ao cenário.
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Esta e outras descobertas recentes sobre o túmulo da Xamã de Bad Dürrenberg serão apresentadas ao público em uma grande exposição especial intitulada “A Xamã”, que será inaugurada em 27 de março de 2026, no Museu Estadual de Pré-história em Halle (Saale). A exposição promete aprofundar o conhecimento sobre a espiritualidade pré-histórica e a vida durante a era Mesolítica.
Referências
HeritageDaily.
IDW.
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