Colonização das Ilhas do Mediterrâneo Central por Caçadores-Coletadores
Uma nova pesquisa revela que a ocupação humana em Malta durante o Mesolítico foi viável graças a viagens marítimas frequentes entre a Sicília e a ilha. O estudo, publicado na revista PNAS Nexus, desafia concepções tradicionais sobre as capacidades de navegação das últimas populações de caçadores-coletadores da Europa.
Descoberta sobre a ocupação humana em Malta
A pesquisa indica que as ilhas do Mediterrâneo Central foram colonizadas antes da invenção da agricultura, o que contradiz décadas de teorias que associavam a navegação de longa distância a sociedades mais complexas e tecnologicamente avançadas. O estudo demonstra que a presença humana contínua em Malta, documentada arqueologicamente, só pode ser explicada por meio de redes sociais que cruzavam o mar, envolvendo viagens marítimas repetidas ao longo do tempo.

Pesquisa liderada por Dr. Jimbob Blinkhorn
A investigação foi coordenada pelo Dr. Jimbob Blinkhorn, da Universidade de Liverpool, em colaboração com a Professora Eleanor Scerri, do Instituto Max Planck de Geoantropologia, e colegas da Universidade de Malta e da Universidade de Cambridge. Blinkhorn destaca que a habilidade de realizar viagens marítimas de longa distância representa uma transição fundamental na história humana.

Implicações sobre navegação e redes sociais
A pesquisa questiona se a presença documentada em Malta foi resultado de um encalhe acidental ou se, na verdade, evidenciava uma rede de navegação até então desconhecida. Para responder a essa questão, a equipe combinou informações da etnografia moderna com modelos de dados paleoclimáticos e de nível do mar, examinando as prováveis dimensões populacionais dos caçadores-coletadores e as possibilidades de sobrevivência a longo prazo no ambiente insular.

Análise da evolução geográfica do arquipélago maltês
A análise da evolução geográfica do arquipélago maltês é crucial para entender a ocupação humana. Embora Malta tenha estado conectada à Sicília por uma ponte terrestre até cerca de 14.000 anos atrás, essa conexão submergiu, isolando as ilhas e limitando drasticamente a superfície terrestre disponível para sustentar populações de caçadores-coletadores. Essa separação geográfica transformou Malta em um ambiente insular, exigindo adaptações significativas para a sobrevivência.
A pesquisa de Blinkhorn e sua equipe não apenas desafia as noções estabelecidas sobre a navegação antiga, mas também abre novas perspectivas sobre a complexidade das interações sociais entre populações pré-históricas. O estudo completo pode ser acessado em doi.org/10.1093/pnasnexus/pgag234.
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