DNA humano antigo é encontrado em paredes de cavernas
Pesquisadores identificaram, pela primeira vez, DNA humano antigo preservado em superfícies de paredes de cavernas na Península Ibérica. O material genético foi recuperado a partir de amostras coletadas em sítios arqueológicos da Espanha e de Portugal e pode ampliar as formas de estudo de populações pré-históricas.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEA descoberta foi publicada na revista Nature Communications e envolveu cientistas da Espanha, Portugal, Reino Unido, China e Alemanha, no âmbito do projeto First Art, que investiga algumas das mais antigas manifestações de arte rupestre da Europa.
Segundo o estudo, foram analisadas 54 amostras retiradas de 24 painéis de arte rupestre distribuídos em 11 cavernas. Entre os locais estão a caverna de Altamira, na Espanha, conhecida por suas pinturas policromáticas, além das cavernas Escoural, em Portugal, e Covarón, no norte espanhol.

Os pesquisadores afirmam que a expectativa inicial era encontrar vestígios de DNA principalmente em superfícies pintadas. No entanto, os resultados mostraram o contrário em parte das análises: algumas das amostras positivas vieram de áreas sem qualquer representação artística visível.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEDas 54 amostras analisadas, apenas cinco continham DNA humano antigo considerado autêntico. Uma delas foi retirada de uma crosta de calcita sobre uma superfície pintada na caverna de Escoural. Outras duas vieram de paredes sem pintura no mesmo sítio. As demais foram coletadas em áreas próximas à arte rupestre na caverna de Covarón.
De acordo com os pesquisadores, a presença de DNA em superfícies sem pintura indica que o material genético pode ter sido depositado diretamente por visitantes das cavernas, possivelmente por saliva ou outros fluidos corporais, ou ainda transportado por água e sedimentos ao longo do tempo.
O estudo também identificou padrões genéticos distintos entre as amostras. Três delas apresentaram predominância de DNA associado a indivíduos do sexo feminino, enquanto uma indicou perfil masculino. Outra não pôde ser classificada.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEEm duas amostras da caverna de Covarón, foi possível recuperar DNA nuclear suficiente para análise de ancestralidade. Os resultados apontam ligação com o grupo de caçadores-coletores ocidentais, já identificado em outros estudos sobre populações antigas da Península Ibérica.

Os pesquisadores também testaram um artefato de osso de ave utilizado como espécie de aerógrafo pré-histórico em Altamira, com a hipótese de encontrar vestígios de saliva. Não foram recuperados vestígios de DNA humano antigo, possivelmente devido à contaminação moderna acumulada ao longo de décadas de manuseio.
Segundo o estudo, a preservação de DNA em paredes de cavernas é um fenômeno raro, observado apenas em condições específicas, como crostas minerais e ambientes protegidos. Ainda assim, os resultados sugerem que essas superfícies podem guardar registros biológicos de atividades humanas realizadas há milhares de anos.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEOs cientistas envolvidos no projeto indicam que novas pesquisas devem ampliar a investigação para outros sítios rupestres, incluindo diferentes estilos de pintura e marcas manuais. A expectativa é que futuras análises ajudem a reconstruir padrões de circulação humana em ambientes subterrâneos durante a pré-história.
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