Mistério da Ilha do Meio: quem era a mulher que sumiu sob escolta
A figura de Elizabeth Queminet Berger permanece como um dos episódios mais enigmáticos associados ao período da Operação Prato, no nordeste do Pará. Moradora da Ilha do Meio em meados da década de 1970, ela apresentou hábitos incomuns, recebeu visitantes que falavam idioma desconhecido e desapareceu de um banheiro público no Mercado Ver-o-Peso, em Belém, mesmo sob escolta policial. Sua presença na região coincidiu com relatos de fenômenos anômalos não identificados, mas investigações posteriores indicam que seus documentos eram falsos e sua verdadeira identidade nunca foi confirmada.
Comportamento atípico e visitas misteriosas
Segundo relatos de moradores e pescadores locais, Elizabeth chegou ao município de Augusto Corrêa (PA) em meados dos anos 1970, período marcado por avistamentos de objetos luminosos e supostos ataques na região. Ela adquiriu terrenos na Ilha do Meio e passou a viver de forma isolada. Testemunhas descrevem uma mulher loira, de pele clara, educada e com forte sotaque estrangeiro.

O comportamento da moradora despertou suspeitas devido ao volume de compras realizadas diariamente. De acordo com os relatos, ela adquiria entre 200 e 400 quilos de peixe por dia, quantidade incompatível com o consumo individual. Essa rotina alimentou rumores sobre a presença de outras pessoas escondidas na propriedade.
Moradores afirmam ter visto homens de aparência incomum frequentando a ilha. Elizabeth teria explicado aos locais que se tratava de cientistas, mas as testemunhas relatam que os visitantes falavam um idioma desconhecido e permaneciam no local por poucas horas ou dias. Segundo esses mesmos depoimentos, ela recebia regularmente cerca de dez homens.
Paralelamente, aumentaram os registros de luzes e artefatos cilíndricos sobrevoando a Ilha do Meio e a área entre Urumajó e Bragança. Alguns moradores chegaram a relatar ter visto a mulher banhando-se nua nas praias e, em narrativas consideradas extraordinárias, caminhando sobre as águas.

Suspeita de guerrilha e busca infrutífera
Na década de 1970, o contexto político brasileiro levava autoridades a investigar possíveis esconderijos de grupos armados. O então comandante Uyrangê Holanda de Lima, que posteriormente lideraria a Operação Prato, tomou conhecimento dos relatos sobre Elizabeth e suspeitou que a ilha pudesse abrigar guerrilheiros, motivado pelo alto consumo de alimentos e pelas visitas frequentes.
Uma busca foi realizada na residência, mas o resultado surpreendeu os investigadores. Segundo os registros da época, não havia indícios de ocupação coletiva. A casa praticamente não possuía móveis, utensílios domésticos, janelas ou portas convencionais. No interior, foram encontrados apenas uma cama e duas cadeiras.
Prisões e desaparecimento sob custódia
Elizabeth foi detida três vezes. A primeira prisão ocorreu em 1975, no Pará, seguida de libertação por falta de provas. Em outra ocasião, foi levada para Brasília e novamente liberada. O episódio mais marcante aconteceu durante a terceira detenção.
Ao chegar ao porto de Belém, ela solicitou uso do banheiro público no Mercado Ver-o-Peso. Mesmo acompanhada por agentes, desapareceu sem deixar vestígios. Segundo moradores da região, os relatos de luzes anômalas entre Urumajó e Bragança cessaram após o seu desaparecimento.
Identidade falsa e possível reaparecimento nos EUA
Investigações realizadas anos depois revelaram que o passaporte apresentado por Elizabeth era falso. De acordo com pesquisadores, o documento pertencia originalmente a uma cidadã polonesa falecida em 1939. Apesar disso, ela existiu fisicamente e interagiu com a comunidade local.
Um novo capítulo surgiu em 1989. Após o terremoto de São Francisco, nos Estados Unidos, uma mulher identificada como Elizabeth Queminet Berger teria sido fotografada auxiliando vítimas. A imagem foi publicada em jornal local e a Interpol chegou a ser acionada, mas não obteve sucesso em localizá-la novamente.
Investigação e questões em aberto
O ufólogo Edison Boaventura realizou investigação sobre o caso e apresentou resultados em transmissão online. Segundo registros documentais apontam que Elizabeth não tinha origem extraterrestre, mas sua verdadeira identidade, motivações e a razão pela qual sua presença coincidiu com os fenômenos anômalos no Pará permanecem sem resposta definitiva.
As perguntas sobre quem era a mulher da Ilha do Meio, quem eram seus acompanhantes e qual a relação entre sua estadia e os eventos ufológicos da região continuam abertas. O caso ilustra a complexidade de separar fatos documentados, relatos orais e hipóteses em episódios que misturam história local, contexto militar e fenômenos não explicados.
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