Análise genética revela identidade da ‘xamã’ de Stonehenge
Uma nova análise genética realizada em restos mortais encontrados em Upton Lovell, na Inglaterra, trouxe à tona informações surpreendentes sobre uma figura enigmática da pré-história britânica. Os estudos revelaram que os restos, conhecidos como a ‘xamã de Upton Lovell’, pertencem a uma mulher que viveu há cerca de 4.000 anos, desafiando interpretações anteriores que a consideravam um homem.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADEDescoberta sobre os restos mortais em Upton Lovell
Os restos mortais foram descobertos em 1803 durante escavações realizadas por William Cunnington em um monte funerário em Upton Lovell, localizado a menos de dez milhas de Stonehenge. A análise inicial, baseada apenas no tamanho dos ossos, levou à conclusão de que se tratava de um homem robusto. No entanto, a recente análise de DNA, realizada no Crick Ancient Genomics Laboratory, identificou a presença de cromossomos XX, confirmando que os restos pertencem a uma mulher.

Análise de DNA e a reinterpretação do sepultamento
A análise genética não apenas confirmou a identidade feminina da ‘xamã’, mas também forneceu a primeira evidência molecular conclusiva sobre sua biologia. O estudo, que será publicado em uma revista científica especializada, reinterpreta o sepultamento, sugerindo que a mulher não era apenas uma figura religiosa, mas também uma goldsmith, ou seja, uma artesã de metais preciosos, o que era considerado um conhecimento mágico na época.

Objetos funerários e o status da goldsmith
Os objetos encontrados no sepultamento revelam muito sobre o status e a atividade profissional da mulher. Entre os itens estavam um machado de batalha e ferramentas de ourivesaria, que indicam seu domínio sobre a metalurgia do ouro. Pesquisadores da Universidade de Leicester, como Drs. Oliver Harris e Rachel Crellin, já haviam estabelecido a função de cada objeto no processo de ourivesaria, reforçando a importância dela na hierarquia social da Idade do Bronze.
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Implicações culturais e sociais da descoberta
A descoberta dos restos mortais e dos objetos funerários sugere que a mulher desempenhava um papel crucial tanto como artesã quanto como intermediária espiritual. A presença de um manto cerimonial decorado com ossos de animais perfurados sugere que ela participava de rituais religiosos, o que a tornava uma figura de destaque em sua comunidade. Além disso, a descoberta de outro corpo, também feminino, no mesmo sepultamento, levanta questões sobre as práticas funerárias e as relações sociais da época.
A nova interpretação dos restos mortais de Upton Lovell não apenas corrige um erro histórico, mas também enriquece a compreensão sobre o papel das mulheres na sociedade da Idade do Bronze. A análise genética e os achados arqueológicos abrem novas perspectivas sobre a vida e a cultura de um período muitas vezes envolto em mistério.
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